domingo, 21 de agosto de 2011

Capítulo 18 - Seus olhos verdes

Ryan Star - Losing Your Memory

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Lembre-se do dia,
Porque isso é o que os sonhos deveriam sempre ser.
Eu só queria ficar,
Eu só queria manter esse sonho em mim.

(You’re losing your memory – Ryan Star)


Depois de darmos três voltas cavalgando Clara já estava quase dormindo em cima do seu cavalo, eu quase não notei o quanto já estava tarde e como ela deveria estar cansada. Nós voltamos ao meu quarto, e depois de um banho Clara dormiu como pedra, eu ainda estava inquieta, não conseguia pegar no sono, então fui dar uma volta pela mansão.

Fechei a porta do meu quarto e comecei a andar pelos corredores, a mansão estava quieta, sombriamente silenciosa, isso me incomodou um pouco, mas ainda preferia assim, pelo menos assim eu posso pensar, e ficar um pouco sozinha.

Algo em conhecer Lonrye mexeu comigo, eu não sei, estou me sentindo mais frágil, como se eu estivesse prendendo uma enxurrada de lágrimas dentro de mim e agora todas elas quisessem sair de uma vez só.
Fui para uma sacada que ficava na parte lateral da mansão, a vista para o carvalho de lá era linda.
Me encostei na sacada e fiquei observando o carvalho, a maneira como a luz da lua acentuava seus galhos, e o desenho dos seus galhos se desenvolvendo, se esticando como se pudessem tocar o céu.
Antes que eu pudesse perceber uma lágrima escorreu pelos meus olhos, eu a sequei rapidamente.
Nesse momento pude ouvir passos atrás de mim.
- Não consegue dormir? – Eu não precisava me virar para saber quem era eu reconheceria essa voz em qualquer lugar. Pedro.
Eu dei de ombros.
Pedro se aproximou e encostou na sacada ao meu lado.
- Posso lhe fazer companhia? – Ele me olhou. Eu virei o rosto e assenti.
- Como quiser. – minha voz saiu entre cortada.

Por um longo momento ficamos ali, no silencio, apenas olhando a lua, mas mesmo daquela distancia eu podia sentir o calor que emanava do corpo dele, como um imã tudo me atraindo para que eu tocasse, tive que me controlar, mas acredito que se eu me distraísse um minuto quando voltasse a mim provavelmente estaria nos braços dele.
Isso era o curioso, Pedro tinha esse poder sobre mim, só sua presença, seu olhar, me fazia perde o controle, esquecer tudo o que eu passei e só voar em seus braços e poder sentir seu corpo no meu, suas mãos nos meus cabelos, poder desenhar a linha do seu rosto com as minhas mãos, e sentir o seu hálito doce, mas as coisas tinham mudado entre nós e eu não posso mais deixar que as coisas voltem a ser como antes, onde ele me tinha mesmo não sabendo, Pedro me machucou da pior forma e ainda dói muito, não posso ceder a minha vontade, e também de que importa agora, ele está com a Emily.
Esse pensamento me fez abaixar a cabeça e soltar um suspiro.

- O que foi? – Perguntou Pedro vendo minha mudança de humor.
- Nada – consegui dizer finalmente – Estou apenas pensando.
Ele me observou
- Em que? – ele se virou de modo que ficasse encostado na sacada de frente para mim.
- Importa? – eu perguntei fria, ele desviou o olhar e depois me encarou de novo.
- Para mim sim – ele se virou e ficou com as costas encostada na sacada encarando a porta atrás de mim.
- Será Pedro? – bufei – Olha já ta tarde eu vou entrar, com licença.
Eu me virei para sair, mas ele segurou minha mão
- Não vai Catarina, por favor, só mais cinco minutos. – ele me olhou nos olhos, e eu não resisti ao seu toque, me vi chegando mais perto dele, a visão dos seus olhos se aproximando, agora eu já conseguia sentir seu hálito doce, pude sentir suas mãos indo até meus cabelos, tudo o que eu queria era estar aqui, com ele, agora, eu precisava desse beijo, como eu precisava de ar, por esse milésimo de segundo eu me senti feliz, nesse pequeno instante o buraco no meu peito foi curado, mas só nesse momento, porque assim como a felicidade veio com o seu toque, as memórias de seu beijo com a Emily vieram também, uma lágrima caiu, eu me afastei e me virei.
- Não Pedro – eu disse soltando minha mão da dele.
Eu sequei minhas lágrimas, suspirei e me virei.
- Por quê?- eu o encarei – Me diz Pedro? Para que fazer isso comigo? O que você ganha com isso? Você já tem a Emily não tem? Meu deus! – o “meu deus” saiu mais alto do que eu esperava.
Ele me olhou perplexo
- Emily? – ele chegou mais perto de mim – Eu não tenho a Emily, Catarina eu não tenho nada com ela, não é ela que eu quero e você sabe disso.
- Sim eu sei Pedro, você quer a Katherine, mas entenda de uma vez Pedro eu não sou ela, e nunca vou ser então para de me machucar Pedro.
Ele abaixou a cabeça.
- Katherine está morta Catarina, e você sabe muito bem que os sentimentos que eu sinto por você nada tem a ver com isso.
- Sei mesmo Pedro? Aliás, VOCÊ tem certeza disso?- bufei – É claro que não – um silencio percorreu a noite, e Pedro não disse nada só ficou me olhando nos olhos – Esqueça Pedro, eu vou dormir.
Eu me virei e voltei ao meu quarto.

Depois que cheguei ao meu quarto, deitei e peguei no sono mais rápido do que eu pensei que pegaria, ao acorda a manhã estava linda, ensolarada Clara me acordou me chamando para o café da manhã;
Quando estávamos comendo pude perceber Clara me encarando, ela sempre fazia isso quando sabia que tinha algo de errado e queria saber o que era.

- O que foi?- Eu perguntei fingindo não ter percebido.
- Eu é que pergunto “o que foi dessa vez Cat?” – ela me encarou, e antes que eu pudesse responder ela falou de novo – E nem ouse dizer que não foi nada, porque nada não causa olheiras e deixa nossos olhos vermelhos de tanto chorar.
Eu abaixei a cabeça. Clara me conhecia melhor que qualquer pessoa, não precisei falar nada, ela sabia o que era.

- É o Pedro não é? – ela bufou – Eu sabia que era, Catarina? Olha para mim!
Eu olhei.
- O que foi Cat?  O que aconteceu ontem? – ela parecia realmente preocupada, será que eu estava tão mal assim?
- Pedro e eu tivemos uma conversa – fiz uma pausa – O mesmo de sempre Clara ele disse que se importa eu disse que não, ele disse que não ta com a Emily, nós quase nos beijamos, e eu disse que não era a Katherine ele disse que queria a mim, eu disse que não e depois disso ele ficou calado e eu voltei pro quarto, ou seja, o mesmo de sempre o Pedro mexendo com os meus sentimentos, tirando todos os comandos do corpo do meu domínio, e depois me deixando no silencio.

Clara me encarou.
- Você ta bem Cat? – ela me encarou
- Não sei Clara, eu não sei de mais nada, eu não sei como eu me sinto, eu não sei o que eu quero, eu não sei o que fazer, eu só quero grita e depois gritar mais até que isso tudo passe.

Ela me olhou compreensiva
- Eu sei como é eu me senti assim com o Bruno namorado da “Lu estrangeira” lembra? – Eu não consegui prender o riso.
- Sério Clara? Você ta comparando a minha situação com você e o Bruno? – eu ri de novo – Clara vocês nem namoravam, vocês davam um amasso no carro dele entre os três primeiros tempos que era quando a “Lu estrangeira” estava na sala.  – nós rimos – Pelo menos agente achava que ela estava na sala, porque eu preciso te lembra o porquê do apelido dela de “estrangeira”?
- Ei Cat, não é assim também eu gostava dele e não sabia o que fazer, ele não prestava e a namorada dele era famosa por saber como fazer uma espanhola, é eu não me esqueci o motivo do seu apelido de “Estrangeira”, mas enfim o que eu quero dizer é que eu sei como é estar perdido por sentir, aquilo que você não quer, e não saber o que fazer, mas a melhor maneira de resolver isso é você decidir o que você quer.
Eu a encarei
- Como assim?
- Cat você quer o Pedro? Se você quer amiga não deixa o tempo passar luta por ele, porque você ta dando ele de bandeja pra “prima bitch” e ta perdendo toda a diversão. – ela sorriu maliciosamente e por um minuto eu pensei na possibilidade de levar esse conselho a sério, mas eu sabia que quando você ama esses joguinhos só serviam para te machucar.

- Não Clara, chega. – eu respirei fundo – Chega Clara, isso já está me machucando demais eu não quero entrar nisso para sofrer mais do que já estou, eles que fiquem juntos e longe de mim.
Clara pegou minha mão
- Eu entendo amiga, tudo bem.
- Agora vamos comer porque eu ainda tenho que ir ver a Hevi, e saber quando vai ser a aula de arco e flecha.
-Falando nisso, tem problema se você for sozinha? Eu queria arruma meu cabelo, tomar um banho mais demorado, enfim... 
- Ah! Tudo bem então, sem problemas eu não vou demorar, só cuidado Clara, você ouviu o que o Henrique disse, por mais que esteja claro, não se arrisque.
- Relaxa Cat, vampiro nenhum ia conseguir me matar, eu tenho meus meios de persuasão – ela me lançou um sorriso malicioso.
- É você pode se cuidar. – eu ri

Depois de comer, tomei um banho, me arrumei e fui atrás da Hevi, eu imaginei que ela deveria estar no escritório do meu pai ou pelo menos ele saberia me dizer onde, mas quando estava perto do escritório pude ouvir vozes altas lá dentro, como se estivessem discutindo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capítulo 17 - Lonrye

01 Muse - Supermassive Black Hole

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Você diz que eu estou bagunçando com a sua cabeça
                           ...
O amor machuca mesmo quando é certo ou errado

Não posso parar porque eu estou me divertindo muito
       (What the hell – Avril Lavigne)




Henrique se levantou e veio em nossa direção, agora não era só a mão de Clara que estava suando, eu também estava nervosa, e se Henrique não a deixasse ficar? Eu não conseguiria me despedir dela de novo.
Henrique se colocou a nossa frente e estendeu a mão na direção de Clara, como se em um comprimento, Clara deu sua mão e ele a beijou.

- Prazer, eu sou Henrique pai de Catarina. – ele disse sorrindo
- Prazer eu sou Clara, melhor amiga de Catarina – ela disse sorrindo de volta.
- Clara... Que nome adorável – Nesse momento Clara sorriu e relaxou, eu pude ver que a atitude de Henrique estava quebrando toda a tensão dentro do escritório.
Henrique andou até a janela e ficou de costa para nós.

- E no que posso ajudá-las? – ele disse olhando pela janela, mas pude ver que um sorriso brotou em seu rosto.
- Henrique, como você sabe Clara é humana e ela veio aqui atrás de mim, e eu sei que é perigoso, mas você poderia, por favor, deixá-la ficar? – eu disse com a voz baixa, como um suplico.
Ele se virou para mim.
- Eu posso ver que Clara é muito especial para você Catarina – ele caminhou até a minha frente.
- Sim ela é, ela é como uma irmã. – Clara sorriu e apertou minha mão delicadamente.
O silêncio se instalou no escritório enquanto Henrique estava olhando para o nada pensando na proposta que eu acabará de fazer.
Ele levantou seu rosto e me olhou
- Tudo bem Catarina, a Clara pode ficar, mas só porque eu sei o quanto ela é importante para você – ele fez uma pausa e eu sorri – E eu sei que vai ser bom para você tê-la aqui, vai te deixar mais confortável por assim dizer.
Clara me abraçou, e eu olhei para Henrique e falei sem voz “obrigado” e ele assentiu sorrindo de volta.
- Bom aproveitando que você está aqui Catarina eu precisava mesmo falar com você, o que você acha de ter aula de montaria de cavalos, e arco e flecha? – ele disse sorrindo, com muito entusiasmo.

Eu pensei por um minuto, seria ótimo, quer dizer eu sempre amei cavalos, e arco e flecha é incrível, é a modalidade que eu mais gostava de assistir nas olimpíadas, enfim eu ia adorar tirando o fato que eu provavelmente sou um desastre em ambos.

Eu sorri de volta
- Eu adoraria.
- Ótimo então está combinado, e você Clara? Gostaria de participar das aulas com a Catarina? Tem a aula de espadas, e agora mais essas duas aulas. – Henrique a observou.
Clara pensou por um minuto e depois respondeu

- Eu fico com a de montaria, as outras duas eu deixo para a Cat mesmo. – ela sorriu
- Você que sabe, fique a vontade – Henrique disse sorrindo e voltando para sua mesa – Agora eu só tenho que alertá-la sobre as regras, que não são muitas.
Se fez silêncio dentro do escritório.
- Catarina, pelo menos por agora não deixe Clara sozinha por esses corredores, mas fiquem tranqüilas, ninguém sequer tocará em você Clara, não precisa se preocupar, é mais para o caso de você se familiarizar com o local primeiro, não posso garantir que todos os moradores são tão hospitaleiros quanto Hevi e eu. – ele sorriu
- Tudo bem, obrigado Henrique. – eu sorri.
- E agora podem ir, eu pedirei a Hevi que busque vocês no quarto para a aula de montaria ainda hoje, e sinta-se em casa Clara, você é bem-vinda aqui – ele sorriu e voltou aos papeis em sua mesa.
- Obrigado – Clara disse indo para a porta.
- Obrigado Henrique – eu disse, e fui logo atrás de Clara.

Agora mais aliviadas sabendo que Clara poderia ficar, nós resolvemos dar uma volta no jardim, e conversarmos mais um pouco sobre o que tinha realmente acontecido nesses últimos dias.
Levei Clara até o carvalho que me encantou desde que cheguei aqui e demos uma volta mais próximas a floresta, depois disso fomos em direção a frente da mansão e nos sentamos nos degraus da entrada, admirando o chafariz lindo que tinha a nossa frente, e encerrando assuntos que ficaram em aberto durante o nosso passeio.
Antes que percebêssemos, já estava quase anoitecendo, o que significava que era melhor que fossemos para o meu quarto, Clara não estava familiarizada com sombras pretas passando de um lado para o outro como vultos por toda a mansão.
Clara quis passar pela parte de trás da mansão de novo, e não pude culpá-la era realmente lindo, a floresta o carvalho, as outras flores vivas que pareciam deslocadas em meio a toda aquela calma, eu sinceramente amava esse lugar especialmente a visão que se podia ter lá do carvalho, ela era capaz de me acalmar de tal forma, que eu conseguia ignorar todos os problemas.

Ao chegar na parte de trás da mansão eu pude ver Flávio de longe, e pela primeira vez meu coração acelerou, Flávio... Muita coisa tinha mudado entre nós desde a nossa primeira conversa, aqui mesmo nesse jardim, eu estava tentando evitar a pergunta “que sentimento é esse por Flávio?”, eu não sabia e sinceramente preferia continuar não sabendo, eu só quero manter do jeito que está se é que isso é possível, eu só... Eu não sei porque me sinto assim quando o vejo, mas não importa.
Expulsei aqueles pensamentos para longe, e acalmei meu coração.
Ao nos aproximarmos, pude ver que Clara percebeu a alteração que vê-lo ali causou em mim, e no mesmo momento vi um deslumbre do seu sorriso malicioso. Quando chegamos perto dele, ele sorriu para mim e veio em minha direção.

- Boa noite senhoritas – ele sorriu galante – Está tudo bem Catarina? – ele me olhou nos olhos. 

Meu deus, isso não podia estar acontecendo, eu não posso me sentir atraída assim por Flávio, a ponto de me arrepiar com o seu sorriso, ou reparar no brilho dos seus olhos, e por mais que não admitisse querer beijá-lo ali mesmo.
Clara interrompeu meus pensamentos.

- Boa noite, prazer sou Clara – ela sorriu e se virou para mim.
- Flávio essa é Clara, ela morava no Brasil junto comigo. – eu sorri
- Hum... Muito prazer Clara eu sou Flávio – ele sorriu e logo depois me olhou nos olhos – Boa noite Catarina - ele disse se virando de volta para o jardim onde estava, sorrindo maliciosamente.
Eu fingi não perceber.
- Hã... Flávio você viu a Hevi? Henrique disse que ela iria ao meu quarto, mas eu não estava lá.
- Hum... Só um instante – ele parou e fechou os olhos, como se pudesse sentir a noite e um segundo depois se virou e abriu os olhos – Ela está vindo para cá, passou em seu quarto e não a encontrou então seguiu seu cheiro.
Clara ergueu uma sobrancelha e me olhou
- Depois eu te explico.
Flávio riu.
- Clara, nós vampiros possuímos os sentidos um pouco mais aguçados, e cada um de vocês tem um cheiro específico que conseguimos diferenciar ao longo do tempo quando convivemos com vocês – ele sorriu
- Enfim, eles também tendem a ser muito convencidos, mas isso é um detalhe que deixamos de fora – eu sorri, e ele se virou para me olhar.
- Convencido? – ele fez uma pausa pensando – Acho que essa não é a palavra – ele sorriu maliciosamente.
Eu me virei, fugindo do seu olhar.
- Clara porque não vamos nos sentar ali? – Clara me olhou me questionando e sorrindo entendendo a cortada de assunto.
- Claro – ela sorriu maliciosamente e ficou me encarando, o que me fez corar.
Flávio ficou rindo atrás de nós, e voltou para agora o treino de espadas.

Nós fomos em direção aos degraus que davam para as portas da parte de trás da mansão, e ao nos sentarmos como eu já sabia, Clara começou a me perguntar o que foi aquilo, mas como fazíamos antigamente para que a mãe dela não entendesse voltamos a utilizar nosso código.

- Porque o peixe caiu da gaiola? – Clara disse me olhando maliciosamente .

O peixe caiu da gaiola significa “Meu deus o que foi aquilo?” ou “Me explica isso agora” – eu ri com esse pensamento- Muito tempo que não usávamos os códigos e sinceramente, ao ouvir Clara falar uma enxurrada de lembranças vieram a mim, e não pude conter o riso.
Pude ver de longe que o Flávio estava prestando atenção na conversa, porque logo que a Clara disse isso ele fez uma cara confusa, mas logo riu percebendo o que estávamos fazendo.

- Não, o Jô soares ainda não entrou – eu respondi, o que significa “Não, mais tarde eu te explico”
Clara riu
- Então você ainda lembra?
- Claro como poderia esquecer? Tia Lucia ficaria muito assustada sem nossa criatividade excessiva – eu ri, ti Lucia é a mãe de Clara, e com certeza se não usássemos o código provavelmente estaríamos de castigo até hoje.
- Com certeza – ela riu

- Boa noite meninas – nós nos viramos para trás e pude ver Hevi, ela veio em nossa direção. – E então? Prontas?
Eu assenti.
- Então sigam-me – ela sorriu e foi em direção a parte esquerda da mansão que agora eu percebi que nunca tinha ido.

Quando começamos a nos aproximar pude ver um estábulo, e ao longe um campo grande cercado por uma cerca pequena de madeira.
Ao entra no estábulo pude sentir o cheiro forte de couro e palha seca, e de longe vi três cavalos já selados. Quando estávamos passando dentro do estábulo indo em direção aos cavalos lá fora na direção do campo, passei por um cavalo que me chamou a atenção, eu parei e comecei a olhá-lo, ele estava em canto deitado.

- E esse aqui? – Eu perguntei a Hevi, e parece que ao ouvir minha voz ele se levantou e veio em minha direção cheirando minha mão e esfregando seu fusinho nela.
- Bom até hoje ele não deixou ser montado por ninguém, ele era da Katherine. 
Eu o observei e comecei a acariciá-lo

- Eu posso tentar? – eu perguntei, e Hevi me olhou insegura, mas depois assentiu
- Como quiser, mas cuidado.

Ela o soltou e o levou lá para fora para selá-lo. Depois de selado, Hevi o trouxe até mim e o parou na minha frente.
- Qual o nome dele Hevi?  - Eu perguntei acariciando sua crina.
- É Lonrye – Hevi sorriu – Venha vou te ajudar a montar.
Ela pegou na minha mão e me apoiou enquanto eu colocava meu pé no estribo para poder montar.
Ao subir em Lonrye, ele ficou tranqüilo, peguei suas rédeas e ele começou a caminhar lentamente em direção ao campo.
Hevi ajudou a Clara a montar e logo depois montou segurando as rédeas de seu cavalo e as do de Clara, logo se aproximaram de mim.

- Interessante Catarina, Lonrye nunca foi com ninguém, ele deve estar seguro pela aparência de vocês duas serem iguais, mas tenho certeza que assim que ele te conhecer ele vai te amar tanto quanto. – Hevi sorriu
As vezes Hevi sabia exatamente o que me dizer, eu achava isso incrível a forma como ela conseguia me tranqüilizar.

- Eu espero que sim Hevi – eu me abaixei um pouco e massageei seu pelo – Porque eu já me sinto feliz com ele. 


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Capítulo 16 - Sorrisos

Coldplay - Warning Sign

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Tenho que te contar em que estado estou

Tenho que te contar em meus tons mais altos

Comecei a procurar por um sinal de alerta



Quando a verdade é: eu sinto sua falta

Sim, a verdade é, que sinto muito sua falta

 (Warning sign - Coldplay)




Puxei Clara pelo braço e a levei até a cama.
Nós nos sentamos e ela me abraçou novamente, e deitou sua cabeça no meu ombro.

- Eu senti muito a sua falta Catarina, eu não sou a mesma sem você – ela se afastou e me olhou – E você não deixou nenhum número que eu pudesse falar com você! Como você some assim no mundo Catarina? – ela disse como sempre fazia, interpretando o papel da minha mãe para me dar uma bronca.

- O que você esperava que eu fizesse Clara? Eu saí do Brasil para vir conhecer um pai vampiro, meu deus... Você queria que eu fizesse o que? Eu nem sabia se eu estaria viva, eu só saí de lá para proteger você e a minha família.
Clara abaixou a cabeça
- Eu sei me desculpe Catarina, mas e ai me conta o que aconteceu? Como foi a viagem? Que pai é esse? E porque você está com essa cara de choro, idêntica a que você ficou quando você viu o seu peixe na boca do gato da senhora Eliza? – ela me encarou
- Não mude de assunto... Pelo amor de deus Clara você tem consciência que você poderia ter morrido hoje à noite? E como você me encontrou? O que te deu na cabeça para vir atrás de mim assim? E sua mãe? Meu deus Clara você tem que volta! – Eu disse nervosa, estava fazendo todas as perguntas rápidas demais sem dar tempo de a Clara responder.
- Calma Catarina, bom... Uma pergunta de cada vez, eu vim para cá com a ajuda do Jhony – ela fez uma pausa e corou.

Jhony era um nerd/racker que estudou com agente desde a quinta série, e desde a quinta série ele gosta da Clara, e como claramente ele não combinava com ela, Clara tratava ele bem, mas com o tempo ela se afastou dele, mas é obvio que até hoje em dia era só ela estalar os dedos e ele estava ali, eu nunca entendi isso que ele sentia por ela, mas enfim... Pelo visto ela soube usar bem isso.

Eu a encarei

- O Jhony? Hum... E desde quando você fala com o Jhony Clara? – continuei a encará-la
- Ah meu deus Catarina você estava desaparecida e eu sabia que você tinha trago o seu notebook, então eu pedi a ele que rastreasse o seu IP, para eu poder saber onde você estava – ela sorriu maliciosamente. – Catarina, eu não sou bonita à toa, eu tenho que aproveitar de alguma forma – Eu não me segurei e cai na gargalhada, era tão bom estar com Clara, nossa relação era tão fácil, era como respirar, vinha naturalmente.

- Meu deus Clara você é louca, então você descobriu onde eu estava e simplesmente veio? E sua família? E a escola? – eu disse agora no papel da mãe dando bronca.
- Relaxa Cat, eu falei com a minha mãe que tinha conseguido um curso de intercâmbio, e o Jhony falsificou um contrato de um curso para minha mãe assinar, enfim... Eu resolvi tudo e vim, e a escola... Bem não é nada que eu já não tenha vontade de fugir não é mesmo. – ela riu
- É pelo o que posso ver o Jhony foi bem útil né? – Eu sorri maliciosamente.
Ela corou e me empurrou devagar
- Para com isso Cat, o papel da safada é meu ta? – nós rimos
- É verdade, ele é todo seu. – nós rimos de novo – Mas que bom que você está aqui Clara, eu sinceramente precisava tanto de você.
Eu me deitei no colo dela, e ela começou a mexer no meu cabelo, como sempre fazíamos quando uma de nós precisava desabafar

- Então Cat, me fala... Agora é sua vez, me conte tudo – ela disse separando mexas do meu cabelo.
- Eu vou resumir... Bom, meu pai é realmente um vampiro ele governa a ordem que é meio que o governo dos vampiros, junto com o meu tio Josefh, que eu acabei descobrindo que me conhece mais do que eu mesma, minha mãe Isabela é uma das pessoas mais doces que já conheci, meu tio Carlos é realmente um louco por poder que quer me matar para poder atingir meu pai, e... – eu fiquei calada
- E? Porque algo me diz que esse “e” significa “Pedro”?  - ela fez uma pausa – O que aconteceu Catarina? Quer dizer é meio óbvio que vocês acabariam tendo alguma coisa, pelo menos eu não estou louca e vi claramente como vocês se olhavam e isso com menos de 24 horas de convivência, então imagino que agora vocês estão juntos? – ela ficou em silêncio
- Não... – a palavra saiu entre dentes, abafada, eu fiz uma pausa e então continuei – Não, não estamos juntos... O por quê? Agora que eu vou te contar a melhor parte – eu sorri ironicamente.
Ela me olhou intrigada
- Eu descobri recentemente que... Eu não sou necessariamente filha de sangue deles, eu sou a reencarnação da filha deles. – eu fiquei em silencio e pude ouvir a sugada de ar de Clara com a surpresa.
- Meu deus... Você? Como assim? – ela disse se aproximando para poder ver meu rosto.
- Eu entrei uma vez em uma sala que tem no escritório do meu pai, e vi a sala com as coisas que eram dela, retratos, e sinceramente... Nossa aparência é idêntica Clara, tudo desde todos os traços do meu rosto até os meus cabelos, somos inexplicavelmente iguais.
Clara arregalou os olhos
- E você? – Clara perguntou confusa
- Eu?  Na hora eu desmaiei, e enfim... Comecei a pensar que eles só queriam que eu substituísse ela, mas ai eu descobri que eles cuidam de mim desde que eu era pequena e por mais que eu tente sentir raiva deles, eu não consigo eu os amo como se fossem os meus pais mesmo, é como se eu tivesse um vazio que eu não conhecia, e quando eu os encontrei descobri que não posso viver sem eles entende? Eu não sei explicar, mas apesar disso a Isabela já conversou comigo, o Henrique também e o meu tio Josefh que sinceramente conversou comigo de uma forma que... Eu não sei é como se ele soubesse o que eu to pensando e conversar com ele é tão bom, tudo fica mais claro entende... Eu não sei Clara. – eu fiz uma pausa – Eu estou confusa eu só... Eu to descobrindo as coisas ainda sabe.
Ela me olhou
- Cat, claramente eles se importam com você, se não estariam na sua vida desde pequena, e nem iriam te trazer até aqui, enfim... Eu acredito que eles possam amar você, mas você só tem que deixar claro que você não é a filha deles que morreu entende? Por falar nisso qual o nome dela?
- Katherine
- Hum... Até seus nomes são parecidos, acho que é porque vocês combinam com Katherine, Catarina... Enfim, eu acho que você só tem que mostra que é a Catarina e não a Katherine o que a essa altura eu tenho certeza que eles já sabem.
Ela sorriu e isso me tranqüilizou tanto que suspirei.
- O que foi? – ela perguntou percebendo o meu suspiro – E afinal o que isso tudo tem haver com o Pedro?
- Bom... O Pedro era apaixonado pela Katherine Clara, eles viveram um romance o que explica o porque de eu me sentir tão mexida por ele no começo, mas enfim antes de eu descobrir essa história nós chegamos a nos beijar, e Clara por mais que no começou tenha sido sem explicação depois tudo foi real entende? Cada palpitação, cada vez que ele me fez corar, cada respiração acelerada fui eu que senti entende? Mas depois que eu descobri que era reencarnação dele, eu soube que ele não estava comigo por me amar, ou por gostar de mim Clara, ele só queria substituir a Katherine, e eu não sou ela, então eu dei um ponto final.
Clara deu uma sugada de ar e colocou as mãos sobre a boca
- E ele? O que ele disse? – ela perguntou rápido
- Ele? Nada eu não dei oportunidade dele falar, só disse o que eu precisava dizer e assim que terminei ele tinha partido.
- Partido? Ele não está aqui?
Fiquei em silêncio
- Catarina?
- Está esse é o problema...
- Porque?
- Porque recentemente eu descobri que a filha de Carlos tem acesso a ordem e ao que parece ela fugiu do pai junto com a mãe dela, e cresceu ao lado de Katherine, mas sabe aquelas intuições que eu tenho desde que eu era pequena, aquela quando eu senti que não deveria confiar no namorado da sua mãe, e uma semana depois ele a traiu.
- Sei, e você sente isso em relação a ela?
- Sinto Clara, e sinceramente é a sensação mais forte que eu já senti, é como se com ela eu devesse ficar atenta a cada segundo, eu não sei explicar, mas eu não estou demonstrando isso algo me diz que ela é muito inteligente então eu primeiro vou descobrir o que ela quer, até lá... Eu vou tratá-la com a mesma simpatia que ela me trata – eu fiz uma pausa – O que cá entre nós me enoja de tão forçada, odeio pessoa sonsa e ela é a típica menina boa em que todos acreditam – bufei.
- Hum... Eu sinto uma rivalidade a caminho, eu gosto disso – Clara sorriu maliciosamente – adoro competitividade, é um dos meus maiores dons.
Ela mordeu o lábio e eu comecei a rir
- Sim, em relação a ela eu sinto o mesmo Clara, mas temos que ser cuidadosas, e cuidado com o que você fala e aonde você fala aqui eles podem ouvir muito melhor do que nós – eu disse me levantando e me sentando.
- Mas Cat, eu ainda não entendi onde o Pedro entra nessa história de prima bitch. – ela disse erguendo uma sobrancelha.
- Eu os vi ontem, se beijando.
Clara arregalou os olhos
- Por isso esses olhinhos amiga? Eu sabia que tinha alguma coisa, agora é oficial essa garota vai sangrar.
Ela me puxou para um abraço.
- Obrigada por vir amiga – eu disse e deitei minha cabeça em seu ombro.
- Eu sempre estarei aqui para você Cat.

Depois da nossa longa conversa sobre, como a Clara apelidou a Emily de “prima bitch” e sobre o Pedro, e os últimos acontecimentos, nós ficamos exaustas, tomamos um banho e fomos dormi porque no dia seguinte eu tinha que levar Clara a Henrique e deus queira que ele a deixe ficar.

Quando acordamos já deveria ser o horário de almoço, porque acordei com o cheiro bom de comida dentro do quarto.
Me levantei tomei meu banho e depois acordei Clara.
- Clara? – eu a sacudi – Clara? Levanta!
Ela se mexeu, e depois se sentou passando as mãos sobre os olhos e me encarando totalmente sonolenta
- Nossa parece que eu não dormia a um ano, que horas são Cat?
- Hora do almoço, vai se arruma que nós temos que comer, e eu ainda preciso te levar ao Henrique e avisa que você está aqui então se apresse.

Ela levantou, tomou um banho rápido e em minutos estava na mesa comendo comigo.
Ao terminarmos o almoço, fomos ao escritório de Henrique, e por todo o caminho eu tive que ouvir a Clara soltando lufadas de ar toda vez que se via admirada por alguma coisa nos corredores, desde o tamanho da mansão que agora de dia dava para se ver melhor, até as obras penduradas nas paredes. Ao chegar no escritório de Henrique pude ouvir ele nos pedindo que entrássemos.
Eu abri a porta e fui em direção a ele, segurando a mão de Clara que agora estava suando de nervoso.

- Bom dia Catarina, vejo que trouxe companhia – ele sorriu

Capítulo 15 - Conflitos

Muse - Undisclosed Desires

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Se você sacudir e se virar e simplesmente não conseguir dormir

Eu cantarei uma canção ao seu lado

E se você esquecer o quanto você significa para mim

Todos os dias eu vou te lembrar                   

...

Você sempre terá meu ombro quando chorar

Eu nunca te deixarei, nunca direi adeus


(Bruno Mars – Count on me)



Eu estava no jardim, por mais que algo me dissesse para não confiar na Emily eu estava agradecida por ela ter me trago aqui, é o lugar mais lindo que eu já vi tudo é perfeito, as flores, os aromas, as luzes, a forma como a luz da lua acentua as flores, é simplesmente magnífico, e aqui eu sinto que estou em paz, é uma sensação tão boa que eu poderia ficar aqui horas e horas, e nem perceberia quando o tempo passasse.



Eu me levantei e fui caminhar em volta das flores, eu precisava ver de perto, tocar, sentir aquela beleza em minhas mãos, dei a volta no jardim, e quando me aproximei da sacada estava tão embriagada com todo aquele aroma doce, e toda aquela beleza que quase não vejo aquelas duas figuras no jardim se aproximando da floresta, no começo eu não as reconheci, mas logo pude ver que eram Pedro e Emily.

Hoje mais cedo ao se aproximarem pude ouvir quando Flávio prendeu o riso e disse “Isso vai ser engraçado” no começo eu não entendi porque ainda estava confusa com aquela menina puxando Pedro pelo braço, mas isso é o que eu me dizia, a verdade é que eu estava confusa com a figura de Pedro vindo em minha direção depois da conversa, que não foi bem uma conversa, já que só eu falei e as únicas palavras que disse foi “cai fora da minha vida”, por isso não entendi o que Flávio quis dizer, mas depois de muito analisar eu pude sentir que havia algo entre eles dois e agora vendo-os sozinhos caminhando em direção a floresta essa sensação cresceu em mim.

Emily parou de repente, e Pedro se virou e ficou de frente para ela, eles estavam conversando algo que daquela distância sem os dons dos vampiros eu não podia escutar, mas podia sentir a tensão entre eles de onde eu estava, e antes que eu pudesse concluir mais um pensamento eles se beijaram, no começo Pedro ficou parado como se estivesse surpreso, mas depois ele logo enlaçou seus braços em volta dela e correspondeu ao beijo. No momento foi um choque, eu não sabia o que fazer só fiquei paralisada encarando aquelas duas figuras a metros de distancia se beijando como se estivessem apaixonados, e então pude sentir um líquido quente escorrendo pelo meu rosto, que me fez conseguir me mexer e perceber que era uma lágrima e que outra logo em seguida estava fazendo o mesmo caminho que a anterior. Saí correndo em direção à porta, passando pelo deck eu tropecei, mas logo mantive o equilíbrio e continuei a correr, ao passar pela porta desci as escadas de dois em dois degraus, sem conseguir olhar a minha frente com os meus olhos agora já embasados com as lágrimas.

Segui o corredor a minha frente até o final e virei à esquerda na mesma direção que tínhamos vindo, quando estava quase no final do corredor que dava para o corredor do meu quarto, antes que eu pudesse ver uma porta se abriu na minha frente e Flávio saiu por ela, na velocidade em que eu estava não consegui para a tempo e me vi caindo em cima dele, Flávio com seu reflexo se virou e me pegou em seus braços, cai com minha cabeça já em seu peito, Flávio me abraçou forte.



- Catarina o que foi? Catarina fala comigo está tudo bem? – ele disse pegando os meus braços e empurrando meu corpo para trás delicadamente de forma que pudesse ver meu rosto. – Catarina você está chorando? O que foi fala comigo!

Eu me soltei de seus braços, eu estava emocionalmente instável, não podia deixar Flávio me ver naquele estado, qualquer agulha que caísse do palheiro agora significaria um desastre fatal.

- Flávio eu preciso ir, outra hora falamos disso.

Eu comecei a andar rápido em direção ao corredor, quando ele pegou o meu braço me virando em direção a ele.

- Catarina, o que houve? Fala comigo! Eu não posso deixar você sair nesse estado, o que aconteceu? Você se machucou? – Nesse momento ele começou a analisar todo o meu corpo em busca de hematomas, o que não sei por que fez com que outra represa de lágrimas viesse, e antes que ela essa represa se rompesse e não tivesse mais volta, eu me desvencilhei dele.



- Flávio é sério eu preciso ir, por favor, eu quero ir pro meu quarto agora! – pude perceber que o “agora” saiu mais áspero do que eu queria, mas aquela altura eu precisava sair dalí de qualquer jeito.

Ele me encarou e soltou meu braço com uma dor nos olhos que quase me fez pular em seus braços e chorar ali mesmo, mas eu não podia, não agora sem controle das minhas emoções.

- Tudo bem Catarina, mas eu quero que saiba que não precisa ser assim, você pode contar comigo. – ele olhou no fundo dos meus olhos.

- Obrigado Flávio eu preciso ir.



Saí em disparada em direção ao meu quarto, e quando finalmente cheguei entrei, tranquei a porta e me joguei na minha cama com a cabeça nos travesseiros e chorei, chorei o quanto eu podia até que não houvesse mais lágrimas, até que todas elas tivessem secado e endurecido como mármore.







Flávio:





Eu nunca tinha visto a Catarina nesse estado, assim que soltei seu braço ela saiu correndo em direção ao seu quarto, e naquele momento só pude pensar em um motivo para ela estar daquele jeito... “Pedro”.

Eu sabia que a chegada da Emily ia causar isso nela, tinha conhecimento dos sentimentos que a Catarina tinha por Pedro, confesso que no começo isso foi um estimulo para eu me aproximar dela, mas depois de ver a forma como ela é tão frágil, tão meiga, tão linda, e tão forte ao mesmo tempo, mesmo depois de toda essa loucura, toda essa tristeza, e essa pressão em relação à Katherine em cima dela, ela ainda permanecer de pé, sorrindo, eu acho isso magnífico e não podia deixar que aquele tolo do Pedro machucasse ela, eu não ia permitir.



Parei um instante para sentir o cheiro de Pedro e localizá-lo, um segundo depois eu sabia onde ele estava.

Fui em direção ao jardim da frente o mais rápido que pude meio segundo depois estava em pé em frente a ele que estava sentado nos degraus da entrada.

Ao perceber minha presente, Pedro se levantou rápido.



- O que você quer Flávio? Se for assunto de Henrique diga que já estou indo. – Ele se virou em direção à entrada e começou a caminhar nesse momento me adiantei e parei em frente e ele. – Flávio eu não estou em um bom dia então é melhor você sumir da minha frente.

Ele me encarou e nesse momento eu soltei uma gargalhada

- Poupe-me Pedro, não preciso que tente me intimidar, medo é uma emoção humana Pedro, e como sabemos eu não sou humano. – Eu parei e me aproximei mais dele de forma que nossos rosto ficassem perto o bastante para ele entender todas as palavras que iam sair da minha boca. – Mas isso não importa, eu só vim aqui para lhe dar um aviso Pedro, e eu só vou falar uma vez, se você não ama a Catarina suma da vida dela de uma vez, e deixe claro que você não pertence a ela, porque se você a fizer sofrer mais uma única vez eu não vou me importar de ser expulso da ordem por te matar você entendeu? – eu disse cada palavra alta e clara, e com aspereza na voz.



Ele me encarou como se não entendesse do que eu estava falando, e essa atitude me fez pega-lo pelo colarinho e jogá-lo dentro da água do chafariz.

Ele caiu na água e meio segundo depois já estava vindo para cima de mim, e me arremessou em uma árvore, eu me levantei e me lancei em cima dele, ele me lançou para o alto, mas eu logo me virei e caí em cima dele, e milésimos depois peguei em seu pescoço, e falei baixo em seu ouvido.



- Minha paciência tem limites Pedro, meu aviso foi dado, se eu fosse você seria esperto suficiente para segui-lo, você não vai querer me ver com raiva outra vez. – Eu o soltei com raiva e voltei para o meu quarto enquanto ele ficou no chão tossindo.





Hevi:



Hoje era meu dia no turno da noite em volta da mansão, para manter os humanos curiosos afastados.

Comecei dando uma volta lenta em volta da mansão para ter certeza de que tudo estava em ordem, e depois dei um tempo em frente ao portão principal, na minha terceira ronda em volta da mansão quando voltei ao portão principal quase pulei para trás, tinha uma humana parada em frente ao portão olhando para a mansão discando algum número no telefone, no mesmo segundo passei por ela e peguei o celular parando a metros na sua frente, ela pulou para trás e soltou um grito abafado.



- Quem é você? – eu disse encarando-a

- Me desculpe ai meu deus – Ela estava nervosa, quase não entendia o que saia da sua boca, mas não poderia deixar que uma humana observasse o castelo e saísse ilesa.

- Você não pode ficar aqui, você vai ter que vir dar uma volta comigo – eu disse me aproximando dela lentamente.

- Não, não me mate calma eu sei que eu não posso ficar aqui, mas eu preciso ver a Catarina, é urgente eu preciso vê-la. – ela disse rápido se afastando e colocando as mãos em frente ao corpo.



Ela conhecia Catarina, o que faço? Eu não posso matá-la não seria justo com a Catarina, se essa menina for mesmo amiga de Catarina, ela nunca me perdoaria, por mais que nossa amizade não seja tão extensa assim eu não posso proporcionar mais essa dor a ela, então vou levá-la essa menina até Catarina em silêncio, se Catarina não a conhecer ela está morta.



- Você conhece Catarina? O que necessariamente você é dela? – eu a encarei e cheguei mais perto.

- Eu sou amiga dela, na verdade eu sou a melhor amiga dela, eu sou do Brasil, e eu preciso vê-la, ela está bem? Ela está viva não está? – ela disse a última pergunta com um tom de desespero.

- Calma sim, ela está bem, e sim ela está viva, então você é a melhor amiga dela... E qual o seu nome? – eu disse a encarando e chegando ainda mais perto, agora estávamos a poucos metros de distancia.

- Meu nome é Clara, você pode me levar até a Catarina? – ela disse me olhando com um olhar de dor e medo, que despertou um sentimento de pena dentro de mim.

- Tudo bem, mas se Catarina não te conhecer, nós vamos dar aquela volta que eu propôs agora pouco – eu disse sorrindo gentilmente. – Siga-me sem fazer barulho.



Levei a Clara até dentro do mansão o mais rápido que pude, sentindo o cheio dos outros vampiros da mansão e agradecendo a Deus por hoje ser dia de caça, e a mansão não estar cheia, e guarda estar montada lá fora.

Depois de entra na mansão, a levei até o quarto de Catarina o mais rápido que eu pude, ela tropeçou algumas vezes, mas só bastou uma olhada e ela se aquietou e ficou em silêncio, provavelmente com medo.

Ao chegar ao quarto de Catarina, eu bati e pude ouvir sua voz pedindo que entrássemos.





Catarina:





Antes que eu pudesse perceber, em meio a todas aquelas lágrimas, eu adormeci e fui desperta com as batidas nervosas na porta.



- Pode entra – eu disse me levantando e sentando na cama, implorando a deus que não fosse Flávio, nem Pedro e muito menos a Emily, eu não queria falar sobre o assunto com ninguém agora.



Quando a porta se abriu Hevi passou por ela, e quando vi a pessoa que entrou logo atrás dela, meu coração parou o que Clara estava fazendo aqui? Como ela tinha me encontrado? Eu me levantei rápido.



- Meu deus Clara o que você está fazendo aqui? – eu disse assustada, antes que ela pudesse responde a Hevi falou

- Eu a encontrei em frente à mansão, parada no portão, você a conhece Catarina? – Hevi me encarou.

- Sim, sim ela é minha melhor amiga, ela mora no Brasil – falei rápido – Eu só não entendo como ela me achou.

Hevi sorriu e pareceu aliviada.

- Que bom, ainda bem que fui eu a encontrá-la, se fosse outro ela não teria a mesma sorte, só a trouxe até aqui porque ela disse te conhecer, e eu não poderia causar mal a ela, sem antes ter certeza de que vocês se conheciam mesmo.



Eu me aproximei de Hevi e a abracei.



- Obrigada Hevi, devo a vida de Clara a você, não sei como agradecer. – eu sorri

- Não precisa, você é uma pessoa maravilhosa Catarina, e pessoas boas, devem receber coisas boas da vida – ela sorriu – Agora eu tenho que voltar rápido para minha ronda antes que notem minha ausência – ela se virou para sair, mas logo se virou de volta em minha direção – E Catarina não deixe Clara andando por esses corredores sozinhas, aonde quer que você vá à leve com você, e avise a Henrique a presença dela aqui.

Eu assenti

- Obrigada.



Quando a Hevi passou pela Clara, a Clara sorriu e disse:



- Obrigada Hevi – a Hevi sorriu de volta.



Quando a Hevi bateu a porta eu corri em direção a Clara e a abracei o mais forte que eu pude. Ficamos assim uns minutos até que eu sai em busca de explicações e conforto, a Clara chegou em hora perfeita, sem ela aqui eu não sei se agüentaria passar por essa fase de “Pedro e Emily”.



- Obrigada por vir, agora precisamos conversa.





quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Capítulo 14 - Emily

30 Seconds To Mars-The Fantasy

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Eu quero reconciliar a violência no seu coração
Eu quero reconhecer que a sua beleza não é só uma máscara
Eu quero exorcizar os demônios do seu passado
Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração
(Muse – Undisclosed desires)


Eu a olhei no fundo dos olhos, e isso parece ter feito com que ela se encolhesse ainda mais, Flávio atrás de mim que parecia já me conhecer tão bem, ao ver a hostilidade aumentando em mim pelos os meus batimentos, pegou em minha mão.
- Catarina que tal voltarmos ao treino? – Ele sugeriu já me virando.

Eu assenti, mas antes de me virar um sentimento novo veio rápido a mim como um turbilhão, um sentimento de... Eu não sei explicar eu só sabia que ela era falsa, ela não era essa menina que fingia ser, mas algo em mim também sabia que combater fogo com fogo era melhor do que com água, então se é para ser simpática, eu sei ser quando eu quero, pelo menos vou ser até que eu descubra o que ela quer.
- Me desculpe Emily eu só estou um pouco cansada, e me perdoe é que eu ainda não entendo bem essa guerra, mas pelo o que eu ouvi do seu pai, digamos que ele não é lá meu grande fã então... Não se ofenda por eu agir assim. – eu disse sorrindo gentilmente e me virando – Mesmo assim obrigada.
Ela me encarou, parecia que estava se questionando da onde aquela atitude tinha surgido.

Emily:

Aquele olhar veio como um choque que paralisou todo o meu corpo, por um segundo em seus olhos parecia que ela tinha me reconhecido, eu fiquei parada, instável, apenas esperando o próximo passo, até que aquele reconhecimento passou e então ela era só a Catarina.
Ela falou primeiro.
- Me desculpe Emily eu só estou um pouco cansada, e me perdoe é que eu ainda não entendo bem essa guerra, mas pelo o que eu ouvi do seu pai, digamos que ele não é lá meu grande fã então... Não se ofenda por eu agir assim. – ela fez uma pausa e se virou sorrindo – Mesmo assim obrigada.
Eu a encarei, da onde tinha vindo toda aquela hospitalidade? Será que ela tinha se lembrado e por isso estava agindo assim? Eu fiquei em silêncio por um instante, eu não sabia, mas ainda sim eu continuaria com o meu plano, não poderia por tudo a perde, não poderia por o Pedro a perder por causa dela, não de novo, mais cedo ou mais tarde Pedro vai ver que eu sou a melhor pessoa p. ele, e enquanto isso não acontece, eu vou digamos que apressar um pouco as coisas, pelo o que pude perceber ele já sente algo por ela, eu sabia que isso ia acontecer, ela tem a aparência exata da Katherine, de uma forma tão bizarra que me deu um arrepio quando a vi, mas tanto eu quanto ele sabemos que ela não passa de uma humana frígida, e tão patética quanto a Katherine era, e ela não vai ficar no meu caminho.

Pedro se virou e começou a andar em direção a mansão, eu andei rápido até ele, e peguei sua mão, nesse momento ele se virou e me olhou nos olhos, ficamos nos olhando por um tempo até que ele soltou sua mão.
- Desculpe Emily eu não posso fazer isso. – ele disse virando o rosto para o outro lado
- Fazer o que? Ter algo realmente sólido com alguém que te entende? E que realmente se importa com você? – eu disse virando o rosto dele
- Emily eu só... Eu não posso.
Eu o olhei nos olhos.
- Pedro eu sei que você ama a Catarina eu não sou tão patética assim a ponto de não percebe, e realmente como não amar? Pelo o que vi nesses poucos segundos ela me pareceu tão doce quanto a Katherine, só que ela não é a Katherine Pedro, ela é uma humana, e você sabe o que é melhor para ela e para você, então porque você luta tanto contra isso? Deixa eu te fazer feliz?
Ele me olhou nos olhos, ele realmente me olhou nos olhos pela primeira vez depois de todos esses anos, desde que ele voltou para cá.

- Emily eu sei, mas eu preciso de um tempo, eu não posso fazer isso com você, você não merece é a pessoa mais doce e sensível que já conheci sempre pensando nos outros antes de você, você é incrível, mas eu só preciso de um tempo, eu não estou dizendo não definitivo, só estou dizendo que agora não entende? – Isso já estava me irritando, ter que fingir ser a Emily legal, a Emily boazinha, a que se preocupa com todos, a sensível e ainda não adiantar de nada, mas eu sabia que só precisava esperar se eu revelasse meu lado um pouco mais... Selvagem isso poderia estragar tudo então paciência, ele vai ser meu na hora certa e eu sei que falta muito pouco para isso.

- Eu entendo Pedro é claro, você tem o tempo que quiser, sabe que eu vou estar sempre aqui por você.
Ele beijou minha testa
- Eu sei, obrigada Emily – eu me contorci com o seu toque, ele iria ser meu, ele tinha que ser, isso já era uma questão de honra ele iria ser meu, nem que para isso eu tivesse que matar um por um dessa ordem, ele vai ser meu.

Pedro foi resolver assuntos da ordem, que eu sabia claramente que deveria ter haver com os ataques que meu pai estava fazendo em uma cidade próxima, ele provavelmente foi pedir o apoio da família Hanrisson que claro era uma das mais importantes hoje no nosso mundo, tendo grande influencia dentro da ordem, provavelmente eles recusaram e meu pai queimou toda a propriedade deles, isso era uma das coisas que eu mais gostava em meu pai, o modo como ele resolvia as coisas, em silêncio, sempre pensando em cada detalhe, e causando estragos inimagináveis, parece que herdei isso dele. Nesse momento um sorriso se abriu em meu rosto com esse pensamento.

Fui até meu quarto tomar um banho, e depois estava pensando em fazer uma visita para minha mais nova prima e mostrá-la a mansão, eu precisava que ela confiasse em mim, o que eu esperava que não fosse tão difícil considerando o quanto os humanos são tolos, e úteis ao mesmo tempo, ganhe a confiança deles e você poderá matar toda a sua família na sua frente que ainda sim eles serão fiéis a você, eu soltei uma gargalhada, humanos... Uma perda de tempo.

Depois de um banho longo e demorado, me vesti da melhor forma possível, é claro que essa não era a maneira mais rápida para seduzir Pedro, mas é sempre útil, mas não me vesti nem muito sensual e nem muito certinha, eu equilibrei os dois, afinal eu ainda sou a Emily legal e doce, eu ri.

Ao terminar de me arruma fui ao quarto de Catarina, ao chegar bati na porta e ouvi sua voz pedindo que eu entrasse. Quando passei pela porta, ela se surpreendeu ao me ver, mas logo abriu um sorriso, o que me fez desconfiar, mas me sentir aliviada ao mesmo tempo, pelo o visto ela era mais estúpida que a Katherine, seria mais fácil enganá-la.

Eu sorri.
- Boa noite, desculpe vir assim sem avisar, é que... Bem olha me perdoe pela forma que eu falei hoje mais cedo, você não me conhecia, tinha todo o direito de dizer o que disse eu no seu lugar faria a mesma coisa, só acho que começamos com o pé esquerdo, que tal tentarmos de novo? – eu sorri, era o que sabia fazer de melhor, com tantos anos de pratica agora se tornara espontâneo agir como a Emily boa.
Ela sorriu de volta e se levantou da mesa, ela estava jantando.
- Me perdoe também não era sua culpa, como você mesmo disse não temos nada haver com essa guerra e foi prepotência minha te envolver, então me desculpe – ela sorriu e estendeu sua mão na minha direção – Prazer eu sou Catarina, filha do seu tio Henrique – ela riu

Eu ri de volta
- Prazer eu sou Emily – eu disse sorrindo, essa garota era mais estúpida do que eu esperava o que o Pedro viu nela? Mais um motivo para eu mostrar a ele, que ele merece algo melhor, que eu sou perfeita para ele.

Ela me puxou e sentamos em sua cama, passamos horas ali conversando contei toda a minha história com a Katherine, claro modificando alguns pontos, acrescentando outros, enfim... Ela deveria acreditar que Katherine e eu éramos unidas, isso daria a ela a confiança de que faltava para começar a ser intima minha.
- Então você a Katherine cresceram juntas? – ela disse interessada pela história.
- Sim, quando minha mãe ficou grávida meu pai ainda estava na ordem, mas depois de alguns anos ele se revoltou contra meus tios e saiu da ordem, eu e minha mãe fomos com ele no início, mas depois minha mãe disse que ele começou a ficar agressivo e então ela voltou e pediu proteção ao Henrique, até alguns anos atrás ele me enviava cartas, eu nunca as respondia então ele parou. – eu fiz uma pausa para ver a reação dela, ela continuou concentrada – Enfim, eu vivi com a Katherine desde então, éramos como irmãs, ao contrário de todos ela estava realmente ao meu lado, e agradeço todos os dias por ela ter existido, quando ela morreu eu simplesmente não soube o que fazer, foi como se um abismo se abrisse abaixo de mim, mas agora eu posso vê-la em você – nesse momento ela virou o rosto – Me desculpe eu não estou dizendo que você é ela, eu quero dizer que a vejo em você de uma forma boa, você é tão doce quanto ela, e as duas são incrivelmente simpáticas, e pelo o que soube você é tão forte quanto, mas se precisar de mim saiba que eu estou aqui. – todo esse papo “Catarina você é incrível” já estava me cansando, mas era preciso, esse era o primeiro passo para conquista a confiança dela.
Ela sorriu
- Obrigada Emily, saiba que a Katherine pode ter ido, mas eu ainda estou aqui e se precisar pode contar comigo também – ela sorriu.
Eu me levantei puxando para ficar de pé também.
- Agora vamos, quero te levar para dar uma volta na mansão você ainda não viu nada – eu sorri;
Ela retribuiu o sorriso e me seguiu;

Fomos até a parte mais interna da mansão depois de entra em alguns corredores e subir uma escada, passamos por uma porta e estávamos no terraço, só que não era bem um terraço era um jardim lindo, feito por um incrível paisagista, ele era cheio de flores de múltiplas cores, mais a direita ficava um deck de madeira com roseiras crescendo por toda a sua extensão como se pudessem tocar o céu, até o deck tinha um caminho de pedras que nos levava até ele, e em volta era tudo flores, tinha desde jasmins até gloxínias, um mini paraíso, sobre o jardim havia pequenas luzes lindas, que representavam as estrelas. Catarina ficou sem reação ela observava tudo com atenção, e com a boca aberta.
Eu sorri

- Gostou? – eu me aproximei dela, já que ela tinha ficado parada ao ver o jardim.
- Meu deus, é a coisa mais linda que eu já vi. – ela me olhou – Que lugar é esse?
- Katherine era louca por flores, simplesmente apaixonada, então depois que ela morreu Henrique mandou fazer esse lugar.
Catarina olhou o lugar admirada
- É lindo.
- Eu tenho certeza que sim – eu disse me virando e andando – venha vamos ao deck, a vista de lá é melhor.
- Sim

Catarina me seguiu e ao chegar ao deck sentamos no sofá que estava lá, e ficamos conversando, eu contei sobre como Henrique mandou fazer aquele lugar, e depois vi que pela hora Pedro já deveria ter chegado, e eu precisava falar com ele, falar sobre o tempo que ele me pediu, e mostrar que ele não precisa dela.

- Catarina, agora eu tenho que ir resolver uns assuntos da ordem, mas você pode ficar aqui quanto tempo quiser, esse lugar é de todos nós – eu sorri
Ela assentiu
- Obrigada
- Não tem de que
E então eu sai e fui ao encontro de Pedro.

Fui direto para o seu quarto, quando cheguei bati na porta e ele atendeu só de toalha. Ao vê-lo ali sem roupa eu quase o agarrei, montei em cima dele, e o beijei, mas eu tinha que ter controle, se eu fizesse isso eu sei que cederia, mas depois ele desistiria então eu me virei e tampei os olhos como se desconfortável com aquilo quando na verdade eu estava adorando.

Eu pude ouvir o som do seu riso.
- Pode entrar e me desculpa Emily eu não imaginei que você fosse, entre só um minuto e eu já volto.
Eu entrei e me sentei na cama dele, seu quarto era simples, não tinha nada além do necessário, uma cama, um armário, o banheiro e uma mesinha ao lado da cama com um abajur.
Ele voltou mais rápido do eu pensei e parou na minha frente agora com um calça jeans, e uma blusa cinza apertada.
- Desculpe por aquilo, mas aconteceu alguma coisa? – ele disse parado na minha frente, eu me levantei.
- Está tudo bem, me desculpe por vir sem avisar, mas é que eu preciso conversa com você.
- Pode falar – ele disse a aproximando.
- Na verdade eu queria conversa com você em outro lugar, que tal darmos uma volta? – eu sorri docemente
- Claro, vamos.

Nós fomos para a parte de trás da mansão em uma parte mais próxima da floresta, e se tudo desse certo Catarina me veria com ele essa noite, e desistiria de vez.
Ao chegar lá, eu parei e ele se virou para me olhar.
- O que foi? – ele disse se aproximando – Porque você está agindo assim Emily?
- Pedro... Olha eu sei que você disse que precisava de um tempo, e eu entendo, eu juro que entendo, mas é que eu não vejo motivo pelo qual você não posso ao menos tentar, você tem toda a eternidade Pedro e tudo o que eu estou pedindo são alguns meses, ou menos não importa, eu quero apenas que você tente você sabe o que eu sinto Pedro, eu nunca escondi isso, e sabe o quando eu me importo com você, e nós nos damos tão bem, e eu sei que você gosta de mim também então... Olha me desculpe eu não quero te pressionar, eu só quero entender, quero que você veja que você pode ser feliz.
Ele me encarou e depois se virou
- Emily nós já falamos sobre isso, não se trata de você e você sabe disso, eu preciso de um tempo Emily, porque eu não quero te magoar, é por eu gostar de você que eu estou fazendo isso.
- Você não precisa se preocupar comigo ok? Eu sou bem grandinha já Pedro, e sei me cuidar então, por favor, encare que isso se trata apenas de você.
Nessa hora ele se virou e me olhou
- Emily... Você sabe o que eu sinto e mesmo assim quer ficar comigo?Por quê?
Eu o olhei no olhos
- Porque eu me importo com você, e não importa como você se sente Pedro, não há nada que o tempo não cure.
- Emily, você está enganada, e você não merece isso.
- Eu mereço você Pedro, e pronto.
- Emily... – eu coloquei meus dedos delicadamente sobre a sua boca.
- shiiiiiiiu... Não fala nada. – Nesse momento eu me aproximei e o beijei, o beijo foi incrível, no começo ele não correspondeu como eu gostaria, mas depois ele me abraçou com mais força e eu tive a certeza de que éramos feitos um para o outro, eu o virei de costa para a mansão e continuei o beijando, mas abri os olhos para poder ver se Catarina assim como o esperado estaria vendo, e para minha completa felicidade, eu puder ver uma lágrima cair, e ela se virar e sair correndo do telhado, agora tudo estava perfeito Pedro finalmente se entregando e Catarina fora do caminho.
Ele se afastou delicadamente afastando minhas mãos de seu pescoço e segurando-as.
- Eu não quero te magoar Emily, eu tenho que ir – antes que eu pudesse falar alguma coisa ele já havia sumido no momento eu fiquei arrasada, mas depois um alívio correu pelo meu corpo, pelo menos nossa relação já tinha evoluído e Catarina tinha visto o beijo e teria de se conforma, se as coisas não estavam boas entre eles antes agora estariam totalmente acabadas.