sexta-feira, 15 de julho de 2011

8° Capítulo – “Sangue corre por suas veias”

Cruel Black Dove _Love Song_

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Poderíamos fugir num carro roubado

Mas eu acho que não iríamos tão longe

Antes que a transformação comece

E que a sede de sangue se instale

E que desejos sejam satisfeitos

“Wolf Like me – TV on the Radio”



Eu fiquei por metade do vôo pensando no que Pedro me disse, e ele tinha razão meu pai governava uma ordem de vampiros, e vivia na velha Londres em uma mansão/castelo. Outra coisa estava começando a me preocupar, sabe aquela sensação quando você é criança e vai dormir fora pela primeira vez e fica se sentindo mal e pensando em quando vai voltar para casa, é eu estava sentindo essa sensação agora. E como na minha infância ela continua não sendo agradável. Pedro despertou com uma única frase uma série de perguntas que o medo, e a saudade por antecipação encobriu dentro de mim, e se eu não gostasse do meu pai? E se ele não fosse aquilo que eu esperava, quer dizer é óbvio que ele não era até porque quem espera um pai vampiro, mas o que eu quero dizer é... E se ele não gostar de mim? E se eu não for aquilo que ele esperava? Todas essas perguntas já estavam me causando uma dor de cabeça insuportável, então decide que eu ia deixar o tempo me dizer, o que quer que esteja me aguardando no futuro só o tempo irá me dizer, e até lá chega de perguntas, pelo menos as mais complicadas.

Eu me virei e no mesmo momento parei, percebi que Pedro tinha dormido e estava agora recaído sobre o meu ombro. A imagem dele dormindo era a coisa mais bela que eu já tinha visto, mas porque algo dentro de mim me dizia que aquilo já tinha acontecido, com Pedro era sempre assim, esses dejá-vus repentinos.
Tentei não pensar sobre isso, e só observá-lo.

Fiquei tanto tempo olhando para ele que antes que eu percebesse adormece.
Quando acordei minha cabeça estava explodindo, Pedro olhou para mim na mesma hora.
- Bom dia Catarina, pensei que não iria acorda mais, estava começando a me preocupar – ele riu
- É não será dessa vez que irá se livrar de mim tão fácil. – eu sorri
- E quem disse que eu quero? – ele me lançou um sorriso safado, e no mesmo instante aquele sorriso me despertou todos os meus sentidos em alerta e aquele – agora comum – arrepio viajando pelo meu corpo, pude sentir meu rosto corar e no mesmo instante mudei o assunto.
 – E ai? Onde estamos?
- Já estamos quase em Londres, faltam apenas alguns minutos para pousarmos, e ai dormiu bem?  - ele me olhou
- Sim – fechei e abri os olhos várias vezes aquela luz do avião incomodava demais. – Que horas são?
- São quarto e vinte, devemos estar pousando lá pelas cinco horas e chegaremos à ordem as seis bem ao anoitecer perfeito, assim poderá conhecer muitas pessoas.
- Que pessoas? Pedro olha, por favor... – Mas antes que eu pudesse concluir a frase ele me interrompeu.
- Calma Catarina, por hoje só desejo que você conheça sua família, e agora a noite é mais calmo, porque os outros saem então o castelo estará basicamente vazio.
- Isso deveria ser reconfortante? – eu o encarei
- Sim – ele riu – Pelo menos eu tentei.
- Ta, admito que deu um pouco certo mas... – Eu não sabia como dizer aquilo – Pedro você promete que não vai sair do meu lado quando eu chegar lá? – eu encarei, ele me olhou surpreso, mas logo seu olhar se desmanchou para um olhar fofo.
 - Claro Catarina, se você quiser não sairei do seu lado nem um segundo, só depois não reclame – ele sorriu
E quando ouvir essas palavras um alívio percorreu meu corpo, e devo ter deixado isso transparecer porque logo ele disse:
- Catarina, fica calma vai da tudo certo. – ele segurou uma das minhas mãos – Eu vou estar lá com você. – nesse momento uma lágrima ameaçou cair mais logo me virei, e puxei minha mão, eu não conseguia entender, essa ainda era a maior te todas as minhas perguntas, “porque o Pedro tinha essa influencia sobre mim?” Um só toque dele, e eu me curvaria até para a morte, isso não é normal, essa sensação de que tudo em relação a ele é tão profundo e devastador, eu tenho medo das proporções que isso pode tomar, sinto que já está indo longe demais, não sei mais se tenho controle sobre isso, não sei nem se um dia eu sequer tive.
- É... Obrigada Pedro – disse me virando
Ele me encarou
- Não tem de que.

O silêncio se estabeleceu, eu sei que ele não esperava que eu me virasse e puxasse minha mão das dele naquele momento, mas eu não sabia o que fazer, e aquela lágrima não podia ser vista, ele criaria conclusões erradas, quer dizer nem eu sabia o motivo certo, aliás, ultimamente eu não sabia mais de nada.
As horas se arrastaram do avião até o carro, quando estávamos virando algumas ruas e começando a nos afastar da movimentação, eu decidi quebrar o silêncio.
- Pedro. – eu o olhei
- Sim – ele disse sem me olhar
- Porque você está agindo assim? – acho que minha pergunta o surpreendeu porque no mesmo instante ele se virou para mim, com um olhar surpreso e confuso.
- Assim como? – ele ergueu uma sobrancelha
- Pedro pelo amor de deus, desde o avião quando eu... Desde o avião fico esse silêncio, o que foi? – eu o encarei.
- Desde avião quando você o que? – ele me encarou
- Quando eu... Quando eu me virei, Pedro eu só não entendo por quê? – minha voz saiu mais alta no por quê?
- O porquê de que?
- Porque você me deixa assim. – eu gritei e coloquei uma das mãos sobre a minha boca, como eu tinha dito aquilo, Deus eu não tinha mais controle nem das minhas palavras.
Ele me olhou surpreso, e ficou em silêncio só me olhando.
Aquele silêncio estava me matando.
- Fala alguma coisa Pedro, pelo amor de deus. – eu estava tão exausta, e acho que minha voz demonstrou isso, porque ela saiu roca.
- Eu... Eu não sei o que dizer. – ele gaguejou – O que você quis dizer com isso Catarina? – ele me olhou
- Esquece Pedro eu só estou cansada, por causa da viajem, e eu quis dizer o quanto você me deixa irritada com esse comportamento que varia com a lua. – tentei mudar o assunto.
Ele me olhou
- Me desculpe, estamos quase chegando você poderá descansar.
- Não se preocupe.

Eu fiquei me sentindo um lixo por dentro, como eu poderia ser tão covarde, porque eu não dizia logo para ele que eu... Eu o que? Nem eu mesma sabia o que eu sentia. Eu não queria mais pensar sobre isso.
Logo entramos em uma ruma de terra onde em volta só havia campos, e a frente eu pude ver uma mansão grande e com aparência antiga, exatamente como eu tinha imaginado, construída toda de pedra, mas a frente pude ver o portão se aproximando, era isso tínhamos chegado.

O portão era grande de ferro, e a mansão era cercada por muros altos de pedra, ao passarmos pelo portão pude ver um chafariz, e um caminho para a mansão o resto era pura grama bem cuidada, atrás do castelo eu começava a ver o que suspeitava ser uma floresta, e ao longe mais para a parte inferior ao castelo um pouco mais afastado a esquerda vi um carvalho que me chamou muita atenção à forma como ele se estendia como se pudesse tocar a lua.

Pedro parou o carro em frente à entrada da mansão. A entrada era suportada por uma coluna de pedras com alguns poucos degraus de escada, e em frente a uma porta alta de madeira. Saltamos do carro e fomos em direção a porta, antes que pudéssemos bater a porta se abriu sozinha e um homem apareceu atrás dela.
Ele era alto, forte, muito bonito também, mas tinha algo mal nos seus olhos, eles eram vermelhos e a luz reluziu o brilho dos seu cabelos loiros.
- Boa noite, Henrique disse que chegariam, ele me mandou para recebê-los e guiá-los até ele.
- Boa noite – Pedro pegou minha mão e me guiou para dentro – Onde está Henrique?
- Boa noite Pedro, mas que mau humor, não irá ser educado e me apresentar à bela senhorita que está com você? – ele me olhou com um olhar que me fez sentir nua, e com medo ao mesmo tempo.
- Não será necessário, nos leve até ele.
Pelo o que pude perceber a relação entre eles não era muito boa.
- Claro por aqui.
Ele se aproximou de mim sem que eu pudesse perceber e quando falou comigo eu quase dei um pulo.
- Prazer eu sou Flávio.
- Eu sou Catarina.
- Muito prazer Catarina – ele pronunciou o meu nome com um sotaque e bem devagar o me arrepiou e fez com que apertasse a mão de Pedro.
- Flávio, basta nos leve até Henrique.
- Claro Pedro, por aqui.

Andamos um correndo inteiro e subimos uma escada, ao virarmos a esquerda no fim do corredor pude ver uma porta alta e pesada de madeira, provavelmente era lá que meu pai estava.
Ao chegarmos na porta meu coração disparou, e Pedro ouvindo os meus batimentos apertou minha mão e disse em meu ouvido:
- Eu estou aqui lembra?
Nesse momento eu relaxei e apertei a mão dele de volta.
- Obrigada – eu sussurrei

Flávio abriu as portas e em pé no meio do salão eu vi um homem, alto, branco e tenho que admitir ele era jovem deveria ter cerca de quarenta anos e estava em boa forma, ele vestia um pálido preto elegante, tinha os olhos verdes como os meus e cabelos negros. Ele veio em minha direção.
- Bem vinda Catarina – ao ouvir sua voz um reconhecimento forte como uma pontada veio a mim, e mal consegui pronunciar as palavras.
- Obrigada – disse balbuciando, e acredito que o reconhecimento ficou claro em meu rosto, porque ele sorriu e disse:
- Obrigada por vir minha filha, não sabe quanto tempo eu esperei.

sábado, 9 de julho de 2011

7° Capítulo - Novo Começo

Sleeperstar - I Was Wrong

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 Tudo mudará
Nada permanece igual
Ninguém é perfeito
Ah, mas todo mundo pode ser culpado
Tudo em que você confia
E tudo o que você pode salvar
Vai deixar você de manhã
E volta para encontrá-lo no fim do dia

 Andrew Belle -In my veins



Pedro:

Depois que saímos da casa de Catarina, entramos no carro e seguimos viagem para o aeroporto.
Ela adormeceu e sua cabeça estava encostada na janela de tal modo que fazia com que seus cabelos caíssem por toda a sua silhueta, e que seus cílios refletissem os raios do sol, ela estava exatamente igual como isso era possível.
Eu fiquei a observando, eu não podia evitar, era por isso que eu tinha recusado essa missão no começo, mas como Henrique me insistiu tive de aceitar, mas vê-la ali era tão doloroso, depois de todos esses anos tentando superar Katherine, tentando fazer com que meu amor falecesse com ela, e depois de todos esses anos ainda era difícil, mas eu não posso, não depois de todos esses anos lutando contra a vontade de enfiar uma estaca em meu próprio coração por ter de viver sem ela, e ver Catarina ali, tão linda, tão frágil, tão inocente em relação a tudo o que vai acontecer me fez lembrar a primeira vez que conheci Katherine.

Ela parecia como a lua de abril, branca de prata, misteriosa, bela, tudo e qualquer coisa perderia sua beleza diante dela.
Eu não disse nada só fiquei ali parado a observando admirar a lua e por um minuto tive a certeza de que a lua tinha lhe dado toda a sua luz.
Como se ela percebesse minha presença disse sem se virar.
- Boa noite
Fiquei em choque ao ouvir sua voz, era suave, leve como uma brisa um delicado som que poderia se ouvir por toda uma vida.
- Boa noite cara dama, eu não tinha a intenção de lhe perturbar.
- Não é incomodo algum- houve uma pausa em silêncio – A lua é linda não é? E um enigma por si mesmo.
- Sua beleza não alcança a da senhorita.
Nesse momento ela se virou, e como eu já sabia ela era Linda, uma delicada obra-prima.
- Muito Cortez de sua parte, obrigada – ela ergueu uma sobrancelha – Posso saber seu nome nobre cavaleiro?
- Pedro senhorita, eu desejaria ter a honra de saber o seu senhorita.
Ela sorriu, e nesse momento eu soube que beleza alguma nesse mundo um dia superaria aquela a minha frente.
- Katherine – ela me olhou dentro dos olhos, e nesse momento se meu coração batesse ele pararia.


Catarina se mexeu, me despertando de meu sonho acordado.

- Onde estamos?
- Estamos quase chegando.
Ela encostou sua cabeça novamente, fechou seus olhos e mordeu os lábios, mas dessa vez não estava dormindo, pude perceber quando uma lágrima caiu de seu rosto.
Como se automático minha mão viajou até ela, e a secou, quando passei as mãos pelo seu rosto, como antes sua pele era como uma delicada pluma branca.

Catarina:


Eu dormi metade da viagem até o aeroporto, tentando não pensar em tudo o que estava acontecendo, e o que eu estava deixando para trás, e o que encontraria Dalí para frente.
Acordei com o balanço do carro.
- Onde estamos? – perguntei a Pedro.
- Estamos quase chegando.
Nesse momento um nó desceu pela minha garganta, depois que embarcássemos não haveria volta.
Deitei minha cabeça e fechei meus olhos novamente tentando não pensar nisso tudo, e novamente o nó se estabeleceu em minha garganta, mordi os lábios tentando evitar as lágrimas que estavam por vir, mas foi inútil antes que eu percebesse a senti cair pelo meu rosto, mas então algo me surpreendeu eu senti um toque frio e quando abri meus olhos era Pedro.
Ele estava traçando toda a linha dos meus olhos com os seus dedos, limpando minhas lágrimas e me olhou dentro dos olhos, nesse momento um arrepio viajou por todo o meu corpo e me senti tonta, aquele toque era suave, delicado, uma mistura de carinho e necessidade.
- Ob... Obrigado – falei balbuciando, porque um simples toque dele já me deixava nesse estado, eu nem ao menos conseguia organizar meus pensamentos, o olhar dele em mim não me deixava pensar, e confesso que seu toque também me tirou a respiração.
E então ele se afastou se voltou para a estrada, e seu olhar preocupado voltou ao seu rosto.
Tentei quebra o silencio que havia se instalado entre nós.

- Como é lá? Quer dizer, para onde nós vamos? – o encarei.
- O que a ordem?
- Ordem? Confesso que ainda não entendi o que isso significa. – olhei para ele confusa.
- A ordem é como a nobreza era para os humanos, só que a ordem é o conselho de vampiros que aplicam as leis do nosso mundo, são como... Os reis por assim dizer.
- Nossa - fiquei em silencio por um tempo - Mas de que leis você está falando? Eu pensei que vampiros não tivessem leis.
- E não temos muitas, são só algumas como não se pode matar um humano de outro vampiro não pode revelar quem somos aos humanos e devemos lealdade à ordem.
- É são poucas, mas de grande peso imagino – ele me olhou – O que você quis dizer com “não se pode matar um humano de outro vampiro”?
- Nós vampiros quando bebemos de sangue humano, e damos nosso sangue a esse humano, podemos o tornar nosso fazendo com que somente nós possamos beber de seu sangue.
Eu deveria ter medo, mas era inútil me dizer isso porque ao lado de Pedro eu não temia nada.
- Você tem um humano? – eu o encarei
- Não, os vampiros que servem a ordem não podem beber sangue fresco, somente de animais ou de banco de doação.
- Ah sim. E os vampiros aceitam isso?
- Não temos escolha, é lei da ordem, e nenhum de nós quer desrespeitar a ordem, seria como assinar uma sentença de morte.
- Há quanto tempo você serve a ordem?
- Muito tempo, seu pai me encontrou morrendo e me transformou, desde então sou leal a ele.
- Me fale sobre o meu pai... Como ele é? – eu o olhei nos olhos, e deitei minha cabeça no banco, como se para ouvir uma história.
- Seu pai é um homem bom Catarina, e independente do cargo que ele ocupa ele é justo.
- Como assim o cargo que ele ocupa? O que exatamente meu pai é da ordem? – eu o olhei curiosa
- Catarina seu pai é a ordem, ele governa junto ao seu tio Josefh.
Eu olhei para ele assustada.
- Meu pa... Meu pai governa a ordem no mundo de vocês? – eu tive de repetir, como assim eu era filha do rei no mundo deles.
- Sim. – ele sorriu como se aquilo fosse hilário – O que significa que você é uma princesa e precisa de proteção.
- Quer dizer que eu sou uma princesa do mundo dos vampiros? Isso me parece meio gótico. – olhei em recusa.
Ele riu
- Não exatamente uma princesa, eu estava apenas brincando com você, na verdade isso significa que você tem um lugar importante na ordem.
- Continua sendo assustador, mas pelo menos eu não to me sentindo uma princesa gótica.
Nós rimos, e olhamos um para o outro, ficamos assim por um tempo.
- Então você brinca Pedro, pensei que fosse sempre o tipo calado e sério. – eu o observei
Ele riu
- Só quando estou em missão, espere daqui a um tempo, você não ira mais agüentar ouvir minha voz. - ele me olhou sorrindo.
- Eu duvido muito disso. – nós nos olhamos de novo, da onde tinha saído àquela resposta? Saiu antes que eu pudesse me conter.
- Eu agradeço.
- Não é nada, você está em uma missão para me proteger, eu tenho que te agradar. – disse na tentativa de reprimir a resposta rápida dada há segundos atrás, e olhei para ele sorrindo.
- Isso é verdade, então é melhor não babar no avião.
Eu fiz uma cara de nojo
- Ou, eu não babo ok? Isso não é justo.
Nós rimos
- Eu sei que não, mas é sempre bom avisar – ele disse entre gargalhadas.
- Ta tudo bem, pode implicar, mas isso só porque você está me protegendo se não você iria ver só.
- Nossa o que você iria fazer exatamente? – ele me olhou, com um olhar malicioso, e nesse instante sentir meu rosto arder.
- Não muito já que você é um vampiro, então... Provavelmente jogaria alho em você – eu disse rindo.
- Ta tudo bem, essa eu mereci. – ele disse rindo também.
- Mereceu mesmo.
Ele me olhou com um sorriso malicioso e fofo ao mesmo tempo, uma mistura dos dois.
- Mas me diz uma coisa Pedro, a ordem fica aonde exatamente em Londres? – eu disse confusa
- Na velha Londres, em um castelo próximo a uma aldeia com poucos habitantes.
Como assim? Um o que? Castelo? Meu deus, eu estava indo para um castelo em Londres? Ta tudo bem, isso já ta louco demais.
- Um... Um o que?
- Um castelo, por quê? – ele me olhou
- Eu estou indo para um Castelo em Londres conhecer meu pai vampiro que governa a ordem? Ah claro quando eu pensei que não poderia ficar mais louco.
Ele riu.
- Relaxa Catarina, ele é seu pai, lá também é sua família, e tenho certeza que em pouco tempo irá se sentir em casa.
- Eu duvido muito disso, mas obrigada.
Ele sorriu
- Não apresse as coisas Catarina, deixe com que elas venham até você. – ele disse me olhando nos olhos.
- Vou me lembrar disso. – eu correspondi seu olhar
Ele interrompeu nossos olhares, se virando para frente.
- Pronto, chegamos.
 Eu me virei para frente e vi o aeroporto.
Pedro estacionou o carro, e descemos.
- Pedro você vai simplesmente deixar o carro ai? – eu o encarei.
- Sim, ele não é meu mesmo.
Eu deveria achar isso errado, mas não pude evitar quando uma leve ponta de sorriso cresceu em meu rosto.
- Porque isso não me surpreende? – eu o olhei
Ele riu.
- Eu não sei – ele me olhou, e lá estava seu sorriso malicioso de novo, causando o mesmo efeito de sempre, um arrepio por todo o meu corpo.

Fomos até o balcão do checkin, fizemos o nosso, e pegamos o primeiro vôo para Londres.
Quando chamaram nosso vôo, fomos para o portão de embarque, e embarcamos no avião. Sentamos na parte de trás do avião na classe executiva. Então o avião decolou, era isso, é agora que tudo começa.
- Está pronta Catarina? – ele disse me olhando
- Defina pronta.
Ele sorriu
- Você está pronta! – ele afirmou e me olhou – Dentro de algumas horas estaremos em Londres, aproveite essas horas, se você já acha isso tudo louco agora, espere até chegar lá.
- Como assim, o que você quer dizer? – eu olhei para ele assustada.
- É a ordem Catarina... O que você espera que tenha lá? – ele disse me olhando.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Capítulo 6 - Caminhos Escuros

Evanescence - Good Enough

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Eu sentirei falta do inverno

Um mundo de coisas frágeis

Me procure em um bosque branco escondida em uma árvore oca (Venha me encontrar)

Eu sei que você me ouve, posso provar isso nas suas lágrimas
                                                                    Evanescence – My Last Breath  



Antes que eu me virasse para ir, Clara me puxou pelo braço
- Catarina você vai mesmo partir sem me conta o que está acontecendo? Você sabe que pode confiar em mim. – ela olhou no fundo dos meus olhos, e ela tinha razão.
- Clara o que você quer que eu diga? Eu não sei o que fazer, mas eu não posso continuar aqui, se eu ficar outros homens iguais aqueles vão voltar Clara e sinceramente eu não suportaria perder nenhum de vocês então, por favor. – eu estava exausta, eu não sabia mais o que pensar, e assim como eu estava por dentro, minha voz saiu como uma suplica.
- E o Pedro? O que ele é exatamente? Porque um humano não faria algo como ele fez.
- Ele é... - engoli em seco - Ele é um vampiro. – eu a encarei enquanto via sua expressão mudar de preocupação para espanto.
- Com... Como assim?
- Eu não sei Clara, eu só... – eu não consegui terminar, eu não poderia me despedir dela, eu não poderia ir embora e deixar minha mãe, minha irmã, mas eu precisava não podia colocá-las em perigo por minha causa. – Eu preciso ir Clara, eu te amo. – eu a beijei na testa.
- Cat espera.. – ela me deu seu cordão com um pingente em forma de lua – Toma, eu quero que você leve com você.
Eu coloquei o cordão
- Obrigada, e, por favor, Clara se cuida enquanto eu estiver fora ok?
- Pode deixar.
E nesse momento uma lágrima caiu dos olhos de nós duas.
Eu não podia mais adiar, eu tinha que ir.
“Eu te amo” eu sussurrei para ela.
E ela fechou seus olhos.

Deixei Clara em sua porta chorando, e sai o mais rápido que pude, eu não agüentaria mais aquilo, se continuasse ali eu desistiria de partir.
Fomos para minha casa, aquele nó na minha garganta, aquela dor no fundo do meu estômago, uma agonia por dentro, eu estava deixando tudo o que eu sempre conheci, tudo que sempre amei, será que um dia eu as veria de novo? Chorei em silêncio, só deixando com que as lágrimas caíssem, sem causar nenhum ruído, não queria falar sobre isso com Pedro, por mais que algo dentro de mim me dissesse que a única pessoa que poderia aliviar essa dor era ele.
Depois de um longo silêncio, Pedro o cortou
- Catarina está tudo bem? – ele me olhou, com um olhar preocupado
- Sim... Eu só... – limpei minhas lágrimas, não queria mais chorar, isso não adiantaria de nada, então sufoquei essa dor dentro de mim. – Eu estou bem.
Ele me olhou como se procurando a certeza dessas palavras.
- Vamos já estamos chegando.

Ao chegarmos a minha casa, Pedro me passou uma lista de instruções que iam desde arrumar minhas malas, aguarda por ele daqui a algumas horas e me manter sempre alerta.
- Tudo bem, a que horas você vai estar aqui?
- Poucas, então se apresse.

Eu entrei em casa e subi as escadas direto para o meu quarto, ainda bem que todos estavam dormindo eu não queria que a minha mãe me visse daquele jeito, eu só precisava de um longo banho quente para arrumar as idéias na minha cabeça.
Logo após arrumar minha mala, olhei pela a janela e já estava amanhecendo, logo o Pedro estaria aqui eu precisava me apressar, entrei no chuveiro abaixei minha cabeça e só deixei que a água caísse ainda tentando entender tudo que tinha acontecido nessas últimas horas.
Eu não sei para onde estava indo, mas eu já tinha decidido que eu iria, não poderia colocar mais ninguém em risco por minha causa.
 
Que outra estrada é essa
Que me nega o direito de sorrir?
A veemência dos caminhos me persegue
Mas eu devo acreditar no que o céu me diz
Autumnus

Ao sair do banho me vesti e pelos ruídos que vinham lá de baixo minha mãe já estava acordada preparando a mesa do café, quando terminei quase ao sair pela porta eu me virei e por aquele instante apenas eu observei meu quarto, minha vida, estaria ficando para trás agora.
Ao chegar à cozinha, pode sentir o cheiro do café, só minha mãe sabia como fazer o café exatamente do jeito que eu gosto, eu sentiria falta disso.
- Bom dia meu amor, a que horas você chegou essa noite?
- Não muito tarde, bom dia mãe.
- Aqui está seu café.
- E Aline onde está?
- Ela ainda está dormindo, teve febre essa noite então hoje eu decidi não levá-la ao colégio, e você tome logo seu café e suba para se aprontar se não vai se atrasar para a escola também.
- Tudo bem mãe
Mal sabia ele, que aqueles eram nossos últimos momentos.
E nesse momento a campainha tocou, então era isso era chegada a hora.
- Deixa que eu atendo mãe

Corri até a porta e como eu já esperava era Pedro.
- Bom dia Catarina, tudo pronto?
- Sim, mas o que você vai fazer?
- Apenas me apresentar... – quando ele disse isso minha mãe veio por trás de mim.
- Quem é Catarina?
- Bom dia, prazer eu sou Pedro um amigo de Catarina
- Bom dia, prazer eu sou a mãe dela, e o que lhe trás aqui tão cedo, vocês estudam juntos? – nesse momento ela transferiu seu olhar para mim.
- Na verdade eu não tenho muito tempo, eu só precisava falar com a senhora. – minha mãe o encarou curiosa
- Sim diga
Ele se aproximou e pegou em suas mãos, no início minha mãe o olhou espantada mais segundos depois, quando Pedro a olhou dentro dos olhos ela relaxou.
- Agora escute senhora, a Catarina fará uma viagem para se recuperar do acidente na casa de uma prima sua que você não tem contato há algum tempo, mas que confia inteiramente nela, Catarina estará segura.
- Sim Catarina estará segura
- Isso mesmo, não tem com o que se preocupar.

E nesse momento minha mãe se virou para mim
- Boa viagem minha filha, eu te amo.
Meus olhos se encheram de lágrimas, eu os fechei forte, fazendo com que todas elas escorressem pelo meu rosto, eu a abracei e sussurrei em seu ouvido uma canção de ninar que ela costumava cantar para mim quando eu era pequena e tinha medo de dormir sozinha

“Durma minha doce menina,
 Durma o sono mais profundo,
 E mergulhe nas águas mais profundas,
 E quando acorda eu estarei aqui em forma de
 Luz, acompanhada pelo sol, a te iluminar
 Minha doce menina...
 Minha doce criança...” 


E assim, me afastei e subi as escadas peguei minhas malas, e desci... Ao passar pela porta dei um último beijo em minha mãe e sai.
Sim, esse era o fim toda a minha vida tudo o que eu conhecia estava ficando para trás, perdido em um tempo e com uma Catarina que eu não tinha mais tanta certeza de que ainda existia.
- Para aonde vamos agora? – eu olhei para Pedro
- Para Londres – ele sorriu

domingo, 3 de julho de 2011

5° Capítulo - Revelando os segredos











Obscurecendo e confundindo a verdade e as mentiras
Portanto, eu não sei o que é real e o que não é
Sempre confundindo os pensamentos na minha cabeça
Portanto, não posso confiar em mim mesma
Eu estou morrendo novamente

Evanescence, Going Under

Eu o segui, não sabia o que pensar o que estava acontecendo?
Eu olhei para o céu, e a lua se instalava plena e completa e nesse momento eu soube nada seria igual.
Ao passarmos pelo o Kaio, com o rosto cheio de sangue, aquele cheiro despertou uma sensação estranha em mim, como um medo, um nó que desceu rasgando pela minha garganta, e em um relance, pude ver que os olhos de Pedro estavam vermelhos, como se em um piscar de olhos eles estavam verdes novamente, mas eu vi, eles estavam vermelhos, mas a essa altura, com tudo isso acontecendo e esse nó em minha garganta eu já não estava confiando tanto em minha sanidade.
- Para onde estamos indo? – eu estava impaciente, e esse silêncio entre nós não estava facilitando as coisas.
Nós andamos até fora da escola, e fomos para o estacionamento, havia um banco logo abaixo de uma árvore na parte mais isolada do estacionamento, é claro que depois de quase ser abusada por Kaio eu não deveria ir a um lugar desses com um desconhecido, mas essa era a questão eu sentia como se o conhecesse há tanto tempo, e confesso que isso estava começando a me assustar.
- Venha vamos nos sentar ali. – eu o segui e sentamos no banco um de frente para o outro.
- Ta tudo bem, eu te segui até aqui... Quando é que você vai me falar o que está acontecendo? E o que era aquilo nos seus olhos? – ele me olhou como se surpreso. – Olha eu vi ta bom? Então por favor, vamos pular a parte de que nada aconteceu e vamos direto ao assunto, o que é tudo isso?
- Eu vou te contar, mas antes você tem que me prometer que não vai surta.
Ele me encarou.
- Ta tudo bem.
- O que você acha que eu sou?
Eu o encarei... “Vampiro” da onde essa palavra tinha vindo? Eu não sei como, mas aquela palavra ficou fixada na minha cabeça, e criou raízes, e em instantes olhando para ele, ela tomou força e então veio a certeza.
Meu deus... Ele era um vampiro, mas como eu sabia disso? Meu deus, eu bati a cabeça no acidente, será que eu estou ficando louca?
Não isso era real, tinha de ser.
Um silêncio se instalou entre nós, foi ele quem o cortou.
- E então, já sabe o que eu sou?
- Sei, mas temo que isso seja verdade ou só resultado de um pós-coma.
- Receio que seja verdade, e você está com medo?
Agora que ele me perguntou comecei a pensar sobre isso, mas que história mais louca, como assim vampiros... E... Não eu não estava com medo, mas aquele nó na garganta permanecia ali, intacto.
- Não – falei entre os dentes.
- Catarina... É tudo muito complicado, não é o tipo de história que possa ser esclarecida em uma noite, e não cabe a mim te contar tudo, só o que eu posso dizer é seu pai quer vê-la.
Eu ergui a sobrancelha.
-Pai? Sério? Olha não sei que tipo de brincadeira você ta tentando fazer, nem muito menos o que te disseram, mas meu pai morreu, eu o vi morrer e não é o tipo de assunto que eu quero tratar com um estranho aqui há essa hora.
- Não é desse pai que eu estou falando, Catarina eu estou falando do seu pai de verdade, Henrique, ele quer vê-la e eu estou aqui para assegurar que isso aconteça.
- Calma o que você está dizendo? Que Paulo não era meu pai de verdade? Você tem noção do absurdo que está saindo da sua boca? – Medo tomou conta de mim.
- Catarina temos pouco tempo, então, por favor, eu vou te explicar isso melhor, mas você precisa vir comigo.
- Como assim? Você espera mesmo que eu vá para não sei aonde, com um estranho que acabou de dizer que meu pai, não é meu pai, e que é um vampiro?- soltei um riso nervoso – Olha a história ta bem interessante mais sinceramente eu prefiro ir para casa.
- Catarina você não pode ir para casa, eles estão atrás de você.
- Eles? Quem são eles?
- Eles Catarina, soldados de seu tio. – ele me lançou um olhar sério
- Olha isso é tudo muito louco, você sabe o tamanho da loucura que você ta me contando?
Eu estava confusa, mais esse nó na garganta essa sensação, agora eu sabia o que era ele tinha razão eu tinha que sair Dalí.
- Olha eu entendo, eu sei que isso tudo deve estar parecendo loucura para você, mas nós dois sabemos que no fundo você sabe que é verdade é seu instinto Catarina, pergunte a si mesma.
- Como eu posso saber si isso é mesmo verdade? Você quer que eu deixe minha família, tem noção do que está me pedindo?
- Eu sei que é difícil, mas você não está mais segura aqui e precisa vir comigo.
- Espera, se essa história toda é verdade, como eu posso ter certeza de que você não está ao lado desse meu tio perdido?
- Você acredita mesmo nisso que está dizendo?
Não, eu não acreditava porque tudo em relação a ele era tão tranqüilo, tão sólido e concreto... Eu simplesmente não era eu mesma perto dele, ou era uma Catarina que eu nunca tinha me permitido ser.
E essa história pode ser maluca mais, olhando nos olhos dele, tudo faz tanto sentindo, como se eu já soubesse disso.
Um barulho interrompeu meus pensamentos, e como um vulto Pedro se levantou e como antes seus olhos estavam vermelhos, se eu tinha alguma duvida de que ele era vampiro, essa duvida morreu naquele instante.
- Catarina eles estão aqui, nós temos que ir
- Mas... Não eu tenho que me despedir da minha mãe, eu não posso só partir, e o todo o resto? E minha família eles vão ficar preocupados.
- Você tem razão, não podemos chamar a atenção – ele ficou pensativo, olhando para o nada a sua frente. – Escute bem o que eu vou dizer, eu vou levá-la para sua casa agora, e pela manhã nós partiremos.
Como assim? E minha mãe o que eu iria dizer a ela?
Como se lendo meus pensamentos Pedro assentiu.
- Sou um vampiro lembra? Eu tenho meus métodos.
- Você não vai machucá-la
- Não eu não vou. – e nesse momento ele me olhou da maneira mais doce que jamais tinha sido feita antes, porque tudo em relação a ele era tão certo e tão confuso.
- Olha, eu ainda não sei onde eu estou com a cabeça fazendo isso.
Nós não o vimos chegar, simplesmente uma figura apareceu a nossa frente.
Era um homem, alto, magro, todo de preto, ele estava afastado e no escuro, eu não consegui ver seu rosto, foi Pedro quem falou
- Pode ir embora, ela não vai com você.
- Eu não teria tanta certeza, Carlos a quer, e ele a terá;
- Nunca.
Eu não vi quem saltou primeiro, tudo foi muito rápido, nada que meus olhos pudessem seguir, se tornaram apenas vultos e ruídos em meio aquela escuridão, e por fim eu só ouvi um grito, mas não vinha deles e sim um pouco mais a frente era Clara, um deles a segurava.
Eu entrei em pânico, as únicas palavras que saíram pela minha boca foi
- Eles a pegaram.
Nesse momento Pedro e a figura de preto já estavam no chão, Pedro estava se levantando, com as mãos sujas de sangue, um arrepio subiu pela minha espinha e um medo se instalou sobre o meu corpo.
Ele me respondeu antes que eu pudesse pergunta
- Não se preocupe esse sangue não é meu.
- Você tem de ajudá-la, eles vão matá-la.
- Fique aqui!

Pedro se moveu como uma brisa, silencioso e rápido, em milésimos estava atrás do homem que segurava Clara, e quebrou seu pescoço, nesse instante outro homem apareceu atrás dele, e quando ele segurou o pescoço de Pedro, soltei um grito abafado.
Mas antes que eu pudesse correr ou ver qualquer coisa Pedro se soltou e quando vi o homem já estava no chão com sangue em seu rosto.
Clara veio correndo em minha direção e se jogou em cima de mim, em meio a soluços.
- Catarina o que é tudo isso? Porque aqueles homens estão atrás de você?
- Eu não sei, só fique calma, está tudo bem agora.
Não sei se disse aquilo para convencer Clara ou a mim mesma.
Pedro se aproximou e em seus olhos eu pude ver, nós precisávamos ir.
Passamos pela casa de Clara, e a deixamos lá, agora muito mais calma do que antes.
- Catarina você está bem?
- Estou Clara, eu já disse vai ficar tudo bem?
- Cat, você esqueceu que não pode mentir para mim?
Soltei um riso abafado
- É eu sei
- E o que você pretende fazer agora? Para onde vocês vão?
- Eu não sei.

4° Capítulo – Renascimento


- Cat?  - Clara me olhava com uma cara de espanto - Cat? Meu deus quando eu disse que o garoto era lindo, eu não imaginei que você fosse fazer isso!
Eu despertei como de um transe.
- Fazer o que?
- Isso, meu deus Cat você estava encarando o garoto, tudo bem ele é gostoso eu sei, mas pelo menos disfarça
- Eu estava encarando ele? – eu disse assustada, como aquele garoto podia me desligar de tudo, com um simples lance de olhar
Clara soltou um riso nervoso
- Encarando? Você estava praticamente comendo o garoto com os olhos, isso foi estranho
- Ta tudo bem, eu não sei o que tava fazendo, olha esquece ok? – eu deitei minha cabeça em cima do meu braço – Minha cabeça ta doendo um pouco eu vou deitar, tenho certeza que depois do acidente nenhum professor irá reclamar sobre isso.
-Tudo bem final da aula eu te chamo.

A aula passou mais rápido do que eu imaginei e quando Clara me chamou, o aluno novo já tinha descido. Quem era aquele garoto? Porque sentia essa sensação estranha em relação a ele? Na verdade não me importa, ele deve ser só mais um babaca, que daqui a pouco vai andar com o técnico afinal eu não posso negar ele é realmente lindo, aqueles olhos verdes que consegue me transportar para um paraíso secreto, seus ombros largos, seu corpo realmente definido, seus cabelos castanhos claros, sua boca vermelho sangue, e aquele sorriso de canto, que fazia todo o meu corpo se contrair e travar uma guerra interna para não agarrá-lo ali mesmo.
Mas isso não importava, eu acabei de acordar de um coma, mais o que há comigo, ficar perdida em devaneios por um garoto que eu nem sequer troquei uma palavra, essa não era eu.

Descemos ao pátio e por mais estranho que pareça aqueles momentos me confortaram, era bom saber que tudo ainda era como antes, eu tomando o meu expresso com creme, a Clara com seu hambúrguer e refrigerante, ainda reclamando do odor do café, e nesse momento eu sorri.

Logo voltamos à sala, e durante os três tempos restantes, de minuto em minuto sem que eu percebesse meus olhos se voltavam para ele, era espontâneo como se eu não tivesse poder sobre o meu corpo, e eu devo estar maluca mais eu poderia jurar que cada vez que isso acontecia, ele sorria como se lendo meus pensamentos.

Como sempre desde que o vi pela primeira vez, me perdi em meus devaneios enquanto o observava, e sem que eu percebesse a aula acabou.
-Você está melhor? – Era Clara com um olhar preocupado que não combinava nada com ela
- Estou, e não me olha assim você não fica “sensual” com essa cara – eu ri
- A para, mais você tem razão – e rimos juntas saindo pela porta da sala.

Ao chegarmos ao estacionamento, vimos uma faixa na frente da escola, anunciando o baile do aniversário de quarenta anos da escola.
- Eu adoro comemorações e é claro que eu não vou perder a chance de prestigiar o nosso colégio não é mesmo? – Clara disse já me direcionando seu famoso sorriso malicioso
- A sim, claro porque você realmente admira demais essa escola. – eu ri
- Mais é claro que sim, ainda mais quando ela nos proporciona uma festa junto ao todo o técnico e o terceiro ano. – ela mordeu os lábios
Eu ri
- Ta tudo bem, então guarde seus hormônios para a hora da festa ok?
- Claro, e você vai estar lá comigo
- Sério Clara? Você vai mesmo me forçar a isso? Pensa bem eu acabei de sair de um coma, isso não é legal.
- Deixa de ser dramática, você acabou de sair de um coma, mais isso não te impediu de quase comer o aluno novo com os olhos, e de passar o resto das aulas olhando para ele.
- Ta tudo bem não precisa jogar na minha cara, eu só... Eu não sei.
- Eu sei, ele é gostoso, relaxa eu te entendo minha amiga.
Não pude evitar o modo de falar da Clara sempre me fazia rir, essa era uma das coisas que eu mais gostava nela.
- Tudo bem então eu vou.
- É isso ai, essa é a minha Cat!
- Ta tudo bem agora vamos embora.
- Como assim? A festa é hoje você não leu?
- Ah é verdade, e ai na sua casa ou na minha?
- Eu não preciso te dizer que isso foi estranho né? – e lá estava o seu sorriso malicioso de novo
- A pelo amor de deus Clara, aonde você vai se arrumar na minha casa ou na sua? Esquece eu já sei que é na minha, então vamos o carro da minha mãe está logo ali na frente.
- Você me conhece tão bem, vamos.

Dez minutos de carro e já estávamos na minha casa, eu e Clara subimos para o meu quarto, antes que minha mãe tivesse tempo para vir com o sermão de que eu não poderia ir, porque eu tinha acabado de sair de um caso grave de coma e que eu tinha que ficar de repouso e como ela já tinha sido benevolente, por me deixar ir à escola, quer dizer não parecia que eu tinha saído de um coma há três dias, meu corpo estava totalmente saudável tirando o pulso enfaixado mais nada que me empeça de ir a uma festa.

- Sua mãe vai mesmo deixar você ir não é?
- Vai sim, eu vou usar o dom da persuasão.
- Ok, agora vamos à parte realmente difícil, com que roupa iremos?

Passamos o resto da tarde tirando tudo que eu tinha do guarda roupa, e experimentando tudo que estava a nossa frente.
E enfim achamos uma roupa descente para nós duas, ainda bem que o fato de eu estar em coma um mês não impediu minha mãe de fortalecer o meu armário
E claro, depois disso veio à parte difícil, falar com a minha mãe, toda a parte do dom da persuasão.

-Mãe, por favor, eu posso ir?
- Cat minha filha, entenda que eu só quero o seu bem, você melhorou rápido, mas ainda sim não sei se é aconselhável que você vá a essa festa hoje.
- Mãe, eu quase morri em um acidente tudo bem mais eu já estou melhor, por favor, será que você não entende que eu quero aproveitar, eu estou viva mãe, então, por favor, não me faça perde essa festa.
- Ta tudo bem Catarina, mais você já sabe que tem que se cuidar, e aproveitar com moderação, isso sem falar que eu não preciso ter nenhuma conversa “extra” com você não é? – acho que meu rosto demonstrou toda a repulsa que essa conversa “extra” teria porque logo ela completou – Que ótimo então, agora suba e se arrume se não vai se atrasar.
- Obrigada mãe, te amo – beijei sua testa e subi depressa para o meu quarto.
Assim que entrei Clara me olhou             
- Relaxa, ela deixou agora vamos nos arrumar logo.
- vamos

Nos arrumamos e fomos direto para a escola de carro com a minha mãe.
Ao entramos aquilo parecia mais uma boate do que uma escola, o que claro causou uma alegria a mais a Clara que estava com medo de que a festa fosse um desastre.

- Eu simplesmente to amando isso daqui, eu te disse que seria boa Cat.
- É você disse – falei sem emoção
- Vamos, as bebidas ficam logo ali
- Me desculpa, mas hoje eu não vou poder te acompanhar, coma mais antibióticos esqueceu?
- A que saco, eu me esqueci, ta tudo bem então você fica no refrigerante hoje.

Fomos ao mini bar que tinha sido montado logo após a pista de dança, Clara começou a noite com um sex in the beach, e eu com uma coca.
Depois de um sex in the beach e dois Lagoa azul, Clara já estava no meio da pista de dança.
Eu estava sentada em um dos bancos de pedra do pátio perto do jardim, quando decidi que precisava de mais um refrigerante, quando estava virando o primeiro prédio para ir ao mini bar, Kaio que é o garoto mais popular da escola já estava totalmente bêbado vindo minha direção, eu ignorei até que ele pegou em meu braço, eu tentei me soltar dele, mas foi em vão ele começou a me puxar para trás do prédio, em meio a vários “o que você pensa que está fazendo”, “me solta agora” ele me jogou na parede, é ele literalmente me empurrou na parede e colocou o seu braço do meu lado impedindo que eu saísse.
- O que você pensa que ta fazendo? Me solta agora.
- Porque Catarina? Eu já estava com saudades de você sabia? – ele estava com um bafo de bebida horrível
- Você ta bêbado, me da licença
- A Catarina para que se fazer de difícil, vamos eu sei que você me quer.
- O que? – não pude evitar soltei uma gargalhada – Sério? Eu já sabia que você era um babaca só não imaginei que fosse a esse ponto. Me da licença!
- Não, eu sei que você quer – ele começou a tentar me beijar enquanto eu tentava me desvencilhar, nessa hora ele começou a passar a mão sobre o meu peito, e sem que eu percebesse eu dei um tapa no rosto dele, mas não foi um tapa qualquer, ele caiu no chão com o rosto sangrando, eu confesso que me assustei comigo mesma, quer dizer como eu tinha feito aquilo, ele era dois de mim, mas ainda sim estava feliz em ter ele longe.
Essa foi a primeira vez que eu ouvi sua voz.
- Está tudo bem? – Era Pedro vindo em nossa direção
- Ta tudo bem novato, não se meta nisso.
- Eu não estava falando com você – ele olhou para ele de um jeito que me arrepiou – Está tudo bem Catarina?
Como ele sabia o meu nome?
- Hã... Está, eu só... Ele é um babaca.
- É eu sei, mas você cuidou bem dele.
Eu fiquei sem reação, então ele tinha visto.
- Eu... Eu não sei como eu fiz isso.
Ele não disse nada, só ficou me olhando e nesse momento um lapso de reconhecimento passou por mim, como um deja-vú, ele provavelmente percebeu porque na mesma hora mudou pra uma expressão preocupada.
- Vamos, eu preciso falar com você.

sábado, 2 de julho de 2011

3° Capítulo - " O Jogo Começou "


Eu já não sei o que fazer, já faz um mês que Catarina está em coma, por mais que os hematomas estejam melhores, e suas contusões também eu ainda sinto um nó na garganta toda vez que vejo minha filha deitada sobre essa cama de hospital, com o rosto tão tranqüilo, como nas tantas noites que a pôs para dormir quando era criança.

- Mãe?
- O que Cat?
- Você pode ficar até eu pegar no sono?
- Claro meu amor, quer ouvir alguma história?
- Sim, eu adoro histórias, sobre qual você vai contar?
- Que tal... Uma sobre uma aventura na floresta?
- Não...
- Porque Cat? Não gosta de aventuras?
- Coisas ruins acontecem nas florestas.
- Como assim? Do que você ta falando minha filha? Aconteceu alguma coisa?
- Não mãe, mas as florestas são ruins.

Até hoje me pergunto o porquê, dela pensar isso, ela nunca gostou de florestas, nunca quis acampar, fazer trilha nada, nas férias enquanto seus amigos estavam viajando ou acampando ela estava em casa fazendo o curso de inglês, o que eu sempre aprovei porque graças a isso hoje ela fala mais de uma língua, mas ainda sim me pergunto o porquê desse medo de florestas.

Estava deitada no sofá de acompanhantes no quarto de hospital, aquele sofá estava acabando com as minhas costas. Me levantei e fui em direção a Cat, me sentei ao lado dela e comecei a conversar, será que ela podia me ouvir?
- Cat minha filha, tem sido tão difícil sem você, meu coração está dilacerado por não te ver mais acordada, por mais que agora olhando para você eu veja uma paz em seu rosto, que conforte um pouco meu coração.
Eu só quero você de volta minha Cat, eu te amo. – Eu a beijei na testa segurando sua mão, e nesse momento senti por entre meus dedos, sua mão se mexendo. No momento foi um choque, eu não sabia se tinha imaginado ou não aquele mover de dedos, mas como se lendo meus pensamentos, ela os mexeu de novo, me dando a confirmação de que aquilo não era um sonho, ou melhor, tornando tudo que eu mais tenho sonhado nesse último mês realidade.

Tudo estava muito confuso, é como se eu acordasse de repente de um sonho onde eu estou caindo e levo aquele susto repentino.
Meu corpo inteiro doía terrivelmente, e eu não sabia onde estava nem o que havia acontecido. Com muito esforço consegui abrir meus olhos, mais ao entrar em contato com a luz eu os fechei rapidamente, só pude ver um vulto de relance que imediatamente reconheci minha mãe.
- O que houve? Onde eu estou? Porque meu corpo inteiro dói?
- Não fale muito meu amor, eu já chamei as enfermeiras, só fique quietinha ok?
- Hã? Enfermeiras? O que aconteceu? – Eu me desesperei o que tinha acontecido afinal.
- Você sofreu um acidente voltando da escola, você não se lembra?
- Ah meu deus... Eu não sei, minha cabeça dói não consigo pensar em nada.
- Está tudo bem meu amor, o que importa é que você está bem.
- Nossa a Clara deve estar desesperada, aposto que ela deve estar vindo para cá agora mesmo.
- Minha filha a Clara já veio aqui, muito até por sinal, ela realmente consegue ser insistente quando quer. – minha mãe sorriu
- É, é um dos dons dela, mas há quanto tempo eu estou aqui?
- Um mês meu amor, você estava em coma
- O que? – eu me levantei rápido e uma fisgada na altura da minha cabeça, fez com que eu recuasse rapidamente. – Eu o que? Como assim em coma?
- Você bateu a bateu a cabeça muito forte e entrou em coma, os médicos operaram você, e conforme o tempo suas contusões e hematomas foram sumindo mais você ainda ta muito debilitada o acidente tem apenas um mês meu amor e você acabou de acordar, tente não se esforçar muito ok?
- Ta tudo bem, eu só quero ir embora ta bom?
- Tudo bem.

O médico entrou no quarto, me examinou, fez todos os tipos de perguntas, e depois de uma longa conversa decidiu que eu passaria essa noite no hospital em observação mais amanhã pela manhã ele passaria aqui para me ver e me daria alta.
A noite passou mais rápido do que eu pensei, por mais que tenha dormido um mês, parecia que eu estava com mais sono do que nunca, e meu corpo todo doía, exatamente como no trocadilho que clara disse ao telefone “como se um caminhão tivesse passado por cima de mim” não pude deixar de rir.
Quando acordei o médico passou em meu quarto, tivemos mais uma longa conversa sobre minha dieta alimentar, os cuidados que eu teria de tomar no dia a dia e como minhas contusões melhoraram assustadoramente rápidas o que significava que eu não teria de fazer fisioterapia.
Assim que cheguei em casa fui para o meu quarto e deitei, minutos depois Clara apareceu lá em casa.
- E ai como você está se sentindo?- ela disse se jogando na cama em cima de mim – Nossa, até que você ta bem sexy para alguém que tava em coma, e fui atropelada por um caminhão – ela disse sorrindo maliciosamente
- Ta, uma pausa, isso era para ser um elogio ou...? – levantei a sobrancelha.
-É claro você ta ótima garota, essa é minha Cat – com isso ela fez um trocadilho que ela adorava “Catarina” Cat “gata”, era tão bom estar com ela que não pude deixar de rir.
- Tudo bem, o que você quer?
- Nossa, eu sou sua amiga vim ver como você está!
Arqueei a sobrancelha
- Diga
- A para com isso Cat, eu só vim te conta o mais novo assunto do colégio...
- Que eu deveria querer saber por quê...?
- Porque é sobre o aluno novo, Pedro.
Um reconhecimento veio a minha mente, mas... Da onde eu já tinha ouvido esse nome? Um nó se criou em minha garganta
- O que foi? – Provavelmente eu deixei isso bem visível já que Clara percebeu
- Não foi nada, mais e ai como ele é?
- Simplesmente, super gostoso, é tipo de garoto que te faz dizer “Uaaaw” e depois “É deus existe mesmo”
- Como assim “deus existe mesmo”? – olhei em duvida
- Claro Cat, porque só Deus mesmo pra criar uma criatura tão linda igual aquela. – ela disse mordendo os lábios – e você sabe que eu não sou lá a mais religiosa.
Eu sorri
- É eu sei.

Ficamos ali conversando durante o resto da tarde e depois Clara foi embora, e eu adormeci.
No dia seguinte me arrumei e minha mãe me levou a escola, já que meu lindo e precioso carro estava destruído.
Se eu já não gostava de ir à escola, sendo a mesma Catarina de sempre, imagina sendo a Catarina que sofreu um acidente entrou em coma, e recentemente acordou e está com o pulso engessado, é com certeza não seria nada agradável ter de aturar todos os olhares direcionados a mim, durante toda a manhã.
Me despedi da minha mãe, e encontrei Clara nós fomos para sala, quando eu entrei como já era de se esperado todos me olharam e cochicharam, fui direto para o meu lugar de sempre no final da sala, e agora Clara estava sentada bem a minha frente.
Quando a porta se abriu eu imaginei ser algum dos professores, quase tinha me esquecido de que agora nossa escola tinha um aluno novo, e então quando a porta se abriu lá estava ele, e assim que o vi foi como se todo o meu corpo acordasse, todos os meus músculos, nervos e membros se contraíram e pulsaram.
Eu nunca tinha sentido isso antes, como esse menino pode me causar isso só com um simples olhar?
E quando ele sorriu, eu poderia ressaltar cada curva, e cada linha de seu sorriso, era como se eu o conhecesse melhor do a mim mesma.
E quando ele me olhou pela primeira vez...
O mundo parou, e naqueles segundos eu simplesmente desaprendi o que era respirar, me perdi nos olhos verdes dele, que mais me pareciam transparentes como se eu pudesse mergulhar naquele verde e viajar até um pasto extenso e tranqüilo e encontrar tulipas vermelhas.  

2° Capítulo - Acidente

E assim que eu chego vejo que como sempre o mesmo sistema de Castas ainda é o único que habita esse colégio sendo divido em cinco castas, a 5º casta é a dos nerds, a 4° dos roqueiros, a 3°de pessoas normais, que não se encaixam em nenhuma das outras castas (eu e Clara fazemos parte dessa casta)2º das meninas mais gostosas do Ensino médio, o que eu pessoalmente acho uma palhaçada já que não passam de garotas anorexias, retas e totalmente inseguras, e a 1° e mais importante do colégio os garotos mais gostosos do colégio, ou seja, os garotos que fazem Técnico, o que eu também discordo já que são só babacas, que não dão o maior valor pra nenhuma das garotas desse colégio.
Vou direto para a máquina de Café e pego um expresso com creme. O que ainda é a única coisa que me faz gostar dessa escola já que é a única que possui uma, e eu sendo totalmente viciada em café agradeço por isso.
Já a Clara gosta mais do hambúrguer e do refrigerante, e passa o intervalo inteiro falando como o cheiro do café é ruim.
Mal terminei o meu café e o sinal já tocou, e voltou para sala para ter mais três torturantes tempos de aula.
Assim que eu sento no meu lugar, ligo o meu Ipod mais quando percebo que é aula de Geografia, logo expulso o tédio de mim, e me forço a presta atenção já que esse professor não é lá, meu melhor amigo por assim dizer.
Depois de três longos e esticados tempos de Geografia enfim toca o sinal, e me levanto para sair, Clara vêm em minha direção.
- Eu e você vamos ao shopping hoje.
- A claro, porque você já me perguntou se eu posso e eu disse “é claro que sim, porque não?” – eu começo a rir
- Deixa de ser sarcástica, você não fica sensual assim, e eu sei que você não tem nada para fazer essa tarde então nem adianta inventar uma desculpa.
- Clara hoje eu não posso, eu tive que praticamente arrastar minha mãe de volta para casa já que ela repentinamente queria ficar mais uma semana por lá, graças é claro ao seu novo amigo – fiz uma cara de repulsa – e com isso eu ganhei três dias lavando a louça do almoço e levando minha irmã para o curso.
Clara me olhou com uma cara de total pena.
- Ai, sua mãe sabe como castigar uma filha quando a impede de dar uns amassos.
- Clara que nojo, me poupe dos detalhes, nem tudo que se passa na sua cabeça eu preciso saber ok? Eu tento não pensar nem no que se passa na minha. – fiz uma cara de nojo
- Ok, ok é demais para uma menina de 16 anos eu te entendo. – ela começou a rir, eu comecei a rir também e a empurrei
- Vamos logo, eu preciso ir para casa, e, por favor, da próxima vez, guarde sua opinião sobre os amassos da minha mãe para você, isso é bizarro.
Ela começou a rir, e me acompanhou.
Saímos no estacionamento, e nos despedimos. Fui em direção ao meu carro, entrei liguei meu ipod no som, e fui em direção a saída.
Estava tocando *Paramore- Decode uma das minhas músicas favoritas.
Assim que sai do estacionamento, virei à esquina e parei no sinal, e então a sensação veio como uma pontada no meu coração, eu me encolhi, ela nunca tinha sido tão forte como agora, eu já não sabia mais o que isso significava, eu só queria chegar em casa, mal sabia eu que nesse dia eu não iria para casa.
Assim que o sinal ficou verde, eu segui. Tudo foi muito rápido, questão de milésimos e o caminhão me atingiu, eu não sabia o que pensar, e minha vida não passou diante dos meus olhos, simplesmente me veio um nome na cabeça Pedro.
Uma dor subiu forte pela minha espinha e então tudo estava dormente, eu não sentia mais meu corpo, nada além de um líquido quente escorrendo pelo meu rosto, o que eu logo percebi pelo gosto que era sangue e então tudo foi apagando aos poucos, e como se eu não tivesse dormido há dias eu apaguei.
A morte é calma, tranqüila, sem pressa apenas uma linha fina separando o que um dia foi para um sono profundo.